Governo economiza 6,19% do PIB

Superávit primário no 1.º semestre foi o maior da história para o período, mas não cobriu o gasto recorde com juros

Lu Aiko Otta, O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2008 | 00h00

Ajudadas pela arrecadação recorde do governo federal, as contas do setor público fecharam o primeiro semestre de 2008 com uma economia recorde de R$ 86,116 bilhões, equivalentes a 6,19% do Produto Interno Bruto (PIB). É o melhor dado da série do Banco Central (BC), que começou em 1991. "É um resultado bastante positivo", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. O valor refere-se ao resultado primário - diferença entre receitas e despesas, exceto juros. No mesmo período, os gastos com juros sobre a dívida pública também foram recorde: R$ 88,026 bilhões. Esse aumento é explicado pela elevação do endividamento, pelas perdas do BC em operações com câmbio e pela inflação em alta. Na prática, tudo o que foi economizado no caixa dos governos federal, estaduais, municipais e de empresas estatais entre janeiro e junho não foi suficiente para pagar a conta dos juros sobre a dívida pública. Ficou faltando R$ 1,910 bilhão, que corresponde ao déficit nominal do período. Mesmo sendo negativo, esse é o melhor saldo nominal do setor público num primeiro semestre. Os números divulgados ontem pelo BC mostram também que o resultado primário - referência para as metas fiscais fixadas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) - vem caindo nos últimos três meses. Em junho, as contas do setor público fecharam com saldo positivo de R$ 11,166 bilhões, ante R$ 13,207 bilhões em maio e R$ 18,712 bilhões em abril. Não há, porém, uma trajetória de piora constante, ressaltou Altamir. "A tendência é de melhora nos resultados", disse. No segundo semestre, uma parcela do setor público - as prefeituras - vão reduzir o ritmo de gastos por causa da legislação eleitoral, que restringe investimentos às vésperas do pleito. Espera-se, também, um desempenho mais positivo das empresas estatais federais. Nos primeiros meses do ano, elas enfrentaram uma concentração de despesas, como o pagamento de royalties sobre exploração de petróleo e o recolhimento de dividendos à União. "Por isso, as estatais federais estão com resultados abaixo da meta da LDO", comentou Altamir. Esses gastos elevados não deverão se repetir nos próximo meses. Os resultados fracos das estatais não chegaram a ser um problema porque, no mesmo período, o Tesouro Nacional teve resultados acima da meta e compensou a diferença. Nos 12 meses encerrados em junho, as contas do setor público registraram resultado primário de R$ 116,048 bilhões (4,27% do PIB). O valor está um pouco abaixo dos 4,3% do PIB fixados como meta para o ano.

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