Governo economiza menos e se distancia da meta de superávit em 2012

Dados do Banco Central mostram que superávit primário em 12 meses até novembro caiu para o equivalente a 1,93% do Produto Interno Bruto

Adriana Fernandes e Anne Warth, da Agência Estado,

28 de dezembro de 2012 | 11h44

BRASÍLIA - Com o déficit primário de R$ 5,5 bilhões nas contas do setor público em novembro, o superávit primário acumulado em 12 meses se distanciou ainda mais da meta do governo fixada para o ano de R$ 139,8 bilhões.O déficit primário de novembro foi o pior para o mês, informou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Túlio Maciel. Ele destacou que o déficit expressivo é resultado do crescimento das despesas em ritmo "muito maior" dos que as receitas.

Dados do BC mostraram que faltando apenas os números de dezembro, o superávit primário em 12 meses até novembro caiu R$ 84,633 bilhões, o que equivalente a 1,93% do Produto Interno Bruto (PIB). Até outubro, o superávit em 12 meses estavam em R$ 98,352 bilhões, o correspondente a 2,26% do PIB.

Os números indicam que mesmo abatendo as despesas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para o cumprimento da meta, o governo terá dificuldades em fechar essas contas em dezembro. No último relatório de despesas e receitas do Orçamento, o governo informou que pretende abater R$ 25,6 bilhões da meta para o ano, o que reduziria a meta para R$ 114,2 bilhões. O valor ainda é distante dos R$ 82,699 bilhões de superávit registrados de janeiro a novembro.

Segundo o BC, a maior parte do déficit primário do mês passado foi gerada pelo governo central, que encerrou o período com saldo negativo R$ 5,875 bilhões. Já os governos regionais contribuíram com um superávit de R$ 1,682 bilhão, e as empresas estatais registraram um saldo positivo de R$ 1,322 bilhão.

A autoridade monetária informou também que no acumulado do ano até novembro, o superávit primário do setor público foi de R$ 82,699 bilhões, o equivalente a 2,06% do PIB.

Em igual período de 2011, essa fatia ficava em 3,35% do PIB. Este ano, o compromisso do setor público é economizar R$ 139,8 bilhões para pagar o juro da dívida. Mas o governo já informou que usará os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para atingir seu objetivo.

Juros

O setor público consolidado (Governo Central, governos regionais e empresas estatais, exceção da Petrobrás e Eletrobras) gastou R$ 16,331 bilhões com juros em novembro, segundo dados do Banco Central. Houve uma queda em relação ao gasto de R$ 17,005 bilhões registrado em outubro de 2012 e também na comparação com novembro do ano passado, quando o total foi de R$ 18,368 bilhões.

O Governo Central teve um gasto com juros de R$ 14,670 bilhões em novembro. Já os governos regionais registraram uma despesa de R$ 1,388 bilhão e as empresas estatais, de R$ 272 milhões.

No acumulado do ano até o mês passado, o gasto com juros do setor público consolidado somou R$ 194,761 bilhões, o equivalente a 4,85% do PIB.

Nos últimos 12 meses encerrados em novembro, a despesa chega a R$ 215,334 bilhões, ou 4,91% do PIB.

Déficit nominal

O setor público consolidado registrou déficit nominal de R$ 21,846 bilhões em novembro, valor bem maior do que os R$ 4,607 bilhões verificados em outubro deste ano e do que o déficit de R$ 10,163 bilhões de novembro do ano passado.

Em novembro deste ano, o governo central registrou déficit nominal de R$ 20,546 bilhões, enquanto os governos regionais registraram superávit nominal de R$ 293 milhões. Já as empresas estatais tiveram déficit de R$ 1,594 bilhão no mês passado.

No acumulado do ano até novembro, o déficit nominal do setor público consolidado soma R$ 112,062 bilhões, o que equivale a 2,79% do Produto Interno Bruto (PIB). Nos últimos 12 meses encerrados em novembro, o déficit nominal soma R$ 130,702 bilhões, ou 2,98% do PIB.

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