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Governo economiza R$ 8,096 bi para pagar juros em setembro

Após o pagamento de juros, porém, as contas do setor público ficaram negativas em R$ 9,171 bilhões (déficit nominal)

Adriana Fernandes e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

31 de outubro de 2011 | 10h47

As contas do setor público (governo central, governo regionais e empresas estatais) fecharam o mês de setembro com superávit primário de R$ 8,096 bilhões. Nesse total, as contas do governo central contribuíram com um saldo positivo de R$ 5,982 bilhões; as contas dos governos regionais (Estados e municípios), com R$ 2,161 bilhões; e as de empresas estatais (federais, estaduais e municipais) registraram um déficit primário de R$ 46 milhões. O superávit primário é a diferença entre a arrecadação menos as despesas, exceto o pagamento de juros.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Túlio Maciel, avaliou como "bom" e "positivo" o resultado do superávit primário do setor público consolidado em setembro. Segundo ele, o resultado de agosto havia sido um "pouco mais fraco" e, no mês passado, o valor voltou a melhorar e está "consistente com o cumprimento da meta ampliada".

Maciel chamou atenção para o fato de que o setor público já cumpriu quase 82% da meta de primário para o ano, fato que reflete o aumento das receitas e também a acomodação das despesas. Segundo ele, as receitas têm crescido em 2011 a um ritmo de expansão de cerca de 20% na comparação com 2010. Já as despesas avançam com ritmo menor, de 10% na mesma base de comparação.

Nominal

Após o pagamento de juros, as contas do setor público ficaram negativas em R$ 9,171 bilhões (déficit nominal). O valor é menor que o resultado verificado em agosto, quando as contas públicas acumularam saldo nominal negativo de R$ 17,101 bilhões. O resultado, porém, sinaliza reversão quando comparado a setembro de 2010, mês em que o setor público registrou superávit nominal de R$ 11,998 bilhões. 

Segundo o BC, a maior contribuição do déficit nominal no mês passado foi gerado pelo governo central, que terminou setembro com saldo nominal negativo de R$ 5,472 bilhões. Já os governos regionais contribuíram com déficit nominal de R$ 3,341 bilhões. E as empresas estatais terminaram o mês com nominal negativo de R$ 357 milhões.

No acumulado de janeiro a setembro de 2011, o setor público registrou déficit nominal de R$ 72,838 bilhões, o equivalente a 2,43% do PIB - um aumento de 13% em relação ao mesmo período do ano passado. É o pior resultado desde 2009. Para 2011, o BC projeta um déficit nominal de 2,40% do PIB.

Nos últimos 12 meses até setembro, o déficit nominal soma R$ 102,245 bilhões ou 2,57% do PIB. O resultado acumulado nesse período é bem pior que o observado até agosto, quando o nominal em 12 meses era de R$ 81,076 bilhões ou 2,05% do PIB. A piora nos números de um mês para o outro pode ser explicada pela retirada da Petrobrás, que há um ano (em setembro de 2010) realizou operação de capitalização de cerca de R$ 30 bilhões, o que favoreceu as contas públicas.

Dívida

Já a dívida líquida do setor público terminou o mês de setembro com valor correspondente a 37,2% do PIB, patamar dois pontos porcentuais menor que o observado em agosto, quando o indicador estava em 39,2%. De acordo com dados do Banco Central, a dívida líquida somara R$ 1,481 trilhão. Segundo o BC, a maior contribuição para a queda do indicador foi a desvalorização cambial, de 16,8% no mês, que contribuiu com a redução da dívida em R$ 80,9 bilhões.

O BC também informou que a dívida bruta do setor o público terminou setembro correspondendo a 55,9% do PIB, patamar inferior aos 56,1% do PIB registrados em agosto. Em setembro, a dívida bruta brasileira somava R$ 2,226 trilhões.

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