Jorge William/Agência O Globo
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Governo elevará o crédito para a classe média rural, diz Levy

Reforço na concessão de financiamentos deve ficar entre 20% e 25%; ministro da Fazenda também afirmou que o Plano Safra deve ser anunciado ainda esta semana

Bernardo Caram, enviado especial, O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2015 | 12h17

RIO VERDE - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse nesta segunda-feira, 13, que o governo deve aumentar o crédito para a classe média rural. Segundo ele, o reforço nos financiamentos deve ficar entre 20% e 25%. Para Levy, a agroindústria é o setor menos afetado pelas medidas de ajuste fiscal, tomadas desde o fim do ano passado. 

"Estamos vivendo um momento diferente, em que o câmbio ajuda no preço de algumas coisas", afirmou. Para ele, o agronegócio é um dos setores que vão continuar puxando o crescimento econômico do País. Segundo Levy, a queda no preço das commodities, no caso da agricultura, é mais estável. "É um momento favorável para a agricultura brasileira", afirmou. Ele defendeu o ajuste fiscal, ao dizer que as medidas anticíclicas tomadas para conter a crise estão esgotadas. "Ano passado foi um ano de crescimento fraco, a gente precisa dar uma virada", afirmou. 

A ministra da agricultura, Kátia Abreu, por sua vez, ressaltou a importância da presença de Levy na feira, dizendo não se lembrar de nenhuma vez que um ministro da Fazenda tenha saído de Brasília para participar de uma feira de agronegócios. As afirmações foram feitas na feira de agronegócios Tecnoshow Comigo, em Rio Verde (GO). Esta é a 14ª edição do evento, que reúne, em um terreno de 130 hectares, exposições de máquinas e equipamentos agropecuários, animais, além de palestras técnicas e econômicas. 

Seguro rural. Kátia Abreu afirmou ainda que o governo vai apresentar uma Medida Provisória ao Congresso que garante R$ 300 milhões ao seguro rural. Segundo ela, o valor não tinha sido empenhado no fim do ano passado. "A presidente garantiu que eu usasse R$ 300 milhões do orçamento, será via medida provisória e nós pagaremos todo o seguro agrícola", disse.

De acordo com Kátia Abreu, o Ministério da Fazenda está articulando a elaboração do texto com a Casa Civil, mas não disse o prazo para apresentação da MP ao Congresso. As declarações foram feitas em visita à Tecnoshow Comigo, feira de agronegócios em Rio Verde, no interior de Goiás. 

Crédito para insumos. Em discurso a representantes do setor agrícola, o ministro da Fazenda também afirmou que o governo vai apresentar ainda nesta semana as condições do pré-custeio, modalidade de financiamento para compra de insumos para a safra. "Vamos anunciar as condições de custeio muito rapidamente", afirmou o ministro. Ele disse ainda que o Plano Safra será apresentado até o fim do mês. "Vamos anunciar o novo Plano Safra com realismo", disse. A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, disse, entretanto, que o anúncio será feito até maio.

Na abertura da feira, o ministro ouviu as insatisfações do setor. O presidente da Comigo, responsável pela organização do evento, Antônio Chavaglia, fez uma série de reivindicações. Ele criticou a baixa destinação de recursos do governo para o seguro agrícola. "Será que não tem um pouquinho de carinho com esse setor que sofre com tantas intempéries para colocar comida na mesa do brasileiro?", questionou aos ministros.

Ele também pediu uma facilitação de crédito ao produtor rural e o reajuste de preços mínimos de produtos agrícolas. "Faz mais de dez anos que os preços mínimos não são reajustados", criticou Chavaglia.

Juros. Em momento de ajustes na economia e com o discurso da "realidade fiscal", Levy disse que "obviamente" os juros agrícolas serão reajustados. "Os juros vão ter aquele realinhamento natural diante da situação que a gente está vivento", afirmou. Levy ponderou que o governo quer liberar "o mais rápido possível" os recursos para o Plano Safra 2015/2016 e do Pré-custeio, que garante aos produtores a compra de insumos. Ele ressaltou que o ajuste fiscal está sendo feito para que as ações do governo fiquem claras e transparentes para facilitar as decisões das pessoas.

A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, explicou que os juros mais baixos nos últimos anos fizeram com que os produtores rurais se capitalizassem. "Estamos em outra condição fiscal", afirmou. Ela indicou que os juros agrícolas vão acompanhar as taxas de mercado. "Se houver aumentos nas condições do juro no mercado nacional, o juro da agricultura também deverá alterar", disse. "Mas volume de recursos não irá faltar", completou. 

Ela informou ainda que as novas taxas não serão incompatíveis com o setor, com as atividades e com a inflação. "Em quanto os juros vão aumentar, será anunciado nas próximas horas pela presidente, junto com o pré-custeio", disse, antes de garantir que o anúncio será feito nesta semana, mas não necessariamente hoje. 

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