Governo enfrenta teste de R$ 90 bi no mercado de títulos

Resultado de resgate de vencimento de papéis deste mês pelo Tesouro poderá pressionar taxas de juros

Adriana Fernandes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

31 Dezembro 2008 | 00h00

O ano de 2009 começa com um grande teste para o governo e o mercado de juros. Em meio às incertezas que marcam o início do ano depois do agravamento da crise financeira internacional no final de 2008, o Tesouro Nacional terá pela frente um mega vencimento de R$ 90 bilhões de títulos públicos em janeiro. O valor foi divulgado ontem pelo Ministério da Fazenda. A estratégia do Tesouro, comunicada no cronograma mensal de oferta de títulos de janeiro, será a de fazer um resgate líquido (regastes menos novas emissões) de no mínimo R$ 45 bilhões dos títulos. Ou seja, em vez de refinanciar a dívida com a venda de novos papéis, o Tesouro decidiu utilizar os recursos em caixa para pagar pelo menos 50% dos títulos que estão vencendo. É que a oferta de novos papéis nos leilões ao longo do mês foi limitada no cronograma ao volume máximo de R$ 45 bilhões. Para honrar os resgates, o Tesouro deverá usar parte do chamado "colchão de liquidez", uma reserva acumulada para momentos de dificuldade, que ultimamente vinha girando em torno de R$ 100 bilhões (o governo não divulga o valor).Se o Tesouro só vai vender esse volume de títulos, os outros R$ 45 bilhões de papéis terão que ser honrados no dia do vencimento com o dinheiro do caixa. O volume de resgate poderá ser ainda maior se o apetite dos investidores estiver baixo e a demanda nos leilões diminuir. A maior parte dos vencimentos - R$ 86,5 bilhões - é de papéis prefixados, que são aqueles em que a taxa de rentabilidade que o Tesouro paga é definida previamente na hora do leilão. Esse tipo de papel é considerado de maior risco pelos investidores. Se os juros subirem, eles perdem dinheiro. Para o Tesouro, o risco, ao contrário, diminui, porque a taxa já foi acertada antes. Em momentos de grande turbulência, nervosismo e incertezas no mercado financeiro, a aversão dos investidores a esse tipo de papel aumenta. A diminuição da oferta de títulos visa evitar stress no mercado. Uma oferta de papéis elevada poderia ser um fator adicional de pressão de alta das taxas de juros. Apesar do início de ano mais difícil, a vantagem para o Tesouro é que ao longo de 2009 a necessidade de refinanciamento da dívida é a mais baixa em seis anos. A chamada dívida de curto prazo - que vence em 12 meses - deverá corresponder, em 1º de janeiro de 2010, a cerca de 26% do total do estoque do endividamento público, o menor patamar desde 2002. As simulações feitas pelo Tesouro para preparar o Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2009 indicam que a dívida será a menor também em valores nominais.NÚMEROSR$ 100 bilhõesÉ o valor do ?colchão de liquidez?, reserva que o governo mantém para momentos de dificuldade. R$ 45 bilhõesÉ o valor mínimo que o Tesouro pretende resgatar dos R$ 90 bi.R$ 86,5 bilhõesdos R$ 90 bi que vencem são de papéis prefixados

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