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Governo envia ao Congresso projeto de recuperação judicial

Proposta é uma aposta do governo para aumentar a taxa de sucesso da recuperação judicial no País, uma vez que diversos processos se arrastam por anos sem solução

Adriana Fernandes e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2018 | 09h52

BRASÍLIA - Depois de ficar parado por seis meses na Casa Civil, o projeto da nova lei de recuperação judicial foi enviado ontem pelo presidente Michel Temer ao Congresso Nacional. A proposta é uma aposta do governo para aumentar a taxa de sucesso da recuperação judicial no País, uma vez que diversos processos se arrastam por anos sem solução.

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O projeto havia sido enviado no final do ano passado pelo Ministério da Fazenda à Casa Civil, mas ficou travado na área técnica devido à pressão de setores descontentes com o texto formatado pela equipe econômica. Segundo a Fazenda, o projeto sofreu três alterações principais em relação à proposta original.

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A deliberação sobre novos financiamentos de empresas em recuperação judicial terá de ser decidida em Assembleia Geral de Credores (AGC) e homologada pelo juiz; os créditos associados ao FGTS não entrarão nas prioridades da classificação dos créditos da falência, mas manterão a mesma relevância dos créditos trabalhistas. A terceira mudança é em relação ao artigo que trata da competência da Fazenda Pública para requerimento de falência de empresas devedoras que solicitaram parcelamento de créditos tributários. Ele foi reescrito para deixar claro que as Fazendas Públicas poderão delegar o pedido de falência para órgãos como a Advocacia-Geral da União.

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Vídeo. O presidente Michel Temer divulgou vídeo nas redes sociais para anunciar o envio do projeto ao Congresso. "É um texto moderníssimo, visto, examinado e reexaminado por grandes juristas nacionais e especialistas nesta área", disse o presidente no Twitter.

Foi o segundo vídeo do dia divulgado pelo presidente, que usou a rede social ontem para várias postagens. No primeiro vídeo, comparou seus dois anos de governo com as administrações de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, sem citá-los nominalmente, e confirmou a antecipação do cronograma de devolução de R$ 100 bilhões pelo BNDES ao Tesouro Nacional.

 

A crise econômica fez aumentar significativamente o número de empresas que recorrem à Justiça para uma recuperação financeira. Empresas importantes de alguns setores, como operadora Oi - que teve homologado o acordo em janeiro deste ano - tiveram de recorrer à medida para tentar continuar no mercado.

Na avaliação da área econômica, o projeto permitirá às empresas vender ativos e obter crédito, facilitando o aumento do emprego. O ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, por vários momentos, no ano passado, chegou a anunciar o envio do projeto ao Congresso, o que só aconteceu com agora.

A proposta melhora as condições para que as empresas tenham condições de quitar dívidas. Entre as medidas, o projeto facilita a tomada de empréstimos novos e outras formas de levantamento de recursos.

Parcelamento. As empresas em recuperação judicial terão prazo de dez anos para parcelar débitos tributários com a Fazenda Nacional e de 84 meses com a Receita Federal. Pelo projeto, as dívidas com a Receita poderão ser liquidadas em até 30% com a utilização de créditos decorrentes de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) ou com outros créditos de tributos.

 

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