Governo espera maior procura por títulos do Tesouro

A definição do quadro eleitoral acentuará a procura por títulos públicos, acredita o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rubens Sardenberg. Ele disse que o crescimento da demanda na semana passada sinalizou para um "rali" pelos títulos do governo.Segundo ele, se este movimento persistir, certamente estará aberto o espaço para que o Tesouro aumente as ofertas, inclusive com a retomada dos papéis prefixados, que não estavam sendo oferecidos. "Os preços estão muito convidativos", disse Sardenberg em entrevista à Agência Estado.Responsável principal pela estratégia de administração da dívida mobiliária do governo, o secretário avalia que o mercado começou, na semana passada, um movimento de correção dos excessos. "Começaram a corrigir o excesso de pessimismo das últimas semanas", disse. "O mercado está dando um certo voto de confiança ao Lula".Para ele, "há movimento de correção dos preços." De acordo com Sardenberg, os principais indicadores do mercado financeiro brasileiro revelaram que o "rali" já começou. "De alguma maneira, se observarmos o que aconteceu com a bolsa ao longo da semana passada, com o risco Brasil e com o próprio dólar, é possível perceber que estamos pelo menos no começo do rali", afirmou.A bolsa de São Paulo fechou a semana com alta acumulada de 10,99%, a melhor semana em um ano do mercado de ações brasileiro. O dólar encerrou a sexta-feira cotado a R$ 3,73, o menor valor da moeda norte-americana desde 4 de outubro, e o risco país acumulou queda de 9,6% apenas entre os dias 21 e 25 de outubro.É diante desse cenário que Sardenberg aposta que o Tesouro poderá se beneficiar, ampliando a colocação de títulos públicos no mercado. Esse ambiente mais favorável, na avaliação do secretário, possibilitará a elevação do porcentual de dívida que vem sendo rolado pelo governo, a retomada da oferta de títulos prefixados e maior oferta de recursos em caixa.O reforço do caixa terá efeitos benéficos para o próximo governo. Afinal, permitirá que o Tesouro aumento a liquidez criada para atravessar o período de transição e o primeiro trimestre de 2003. Ele lembrou que o Tesouro já vendeu em outubro R$ 10,7 bilhões em títulos, o que refletiu o aumento da demanda pelos papéis.Sardenberg ressaltou, entretanto, que a manutenção desse cenário mais favorável está na dependência dos primeiros movimentos da futura equipe de governo. "Caso o novo governo confirme as declarações mais recentes de seus principais representantes, acredito na continuidade desse movimento de correção de preços", disse.Mesmo assim, segundo ele, "precaução e cautela" ainda são as palavras de ordem da estratégia para administrar os R$ 58 bilhões em títulos do Tesouro que vencem ao longo de novembro e dezembro. "Vamos ser muito cuidadosos", disse Sardenberg. "Mas, havendo demanda, a nossa intenção é sempre ampliar a colocação de papéis para aumentarmos o caixa", disse.O secretário reforçou que o compromisso do Tesouro continua o mesmo: deixar em caixa, pelo menos, recursos suficientes para pagar todos os títulos que vencem no primeiro trimestre de 2003 e que somam, pelos valores de hoje, cerca de R$ 24 bilhões. "Temos esse compromisso de deixar os vencimentos do primeiro trimestre, mas estamos encarando isso como um mínimo. Se tivermos oportunidade nós vamos reforçar", disse.

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