Governo espera superávit primário de R$ 45 bi em 2002

As metas quantitativas do último acordo firmado entre o governo brasileiro e o Fundo Monetário Internacional (FMI) não foram alteradas nesta primeira revisão do acordo, divulgada hoje pelo Ministério da Fazenda. Os técnicos do governo brasileiro e do FMI mantiveram em R$ 40,2 bilhões o tamanho do superávit primário das contas do setor público consolidado a ser alcançado em 2001. Este número será oficialmente conhecido no próximo dia 31. O governo brasileiro e o fundo também mantiveram a projeção em relação ao tamanho do superávit primário das contas públicas a ser alcançado no período de janeiro a setembro deste ano. De acordo com o documento, o superávit será de R$ 34,1 bilhões. Para o ano como um todo, a estimativa do governo (não incluída no acordo com o FMI) é de que o superávit será de R$ 45,7 bilhões.As metas quantitativas estão expressas no "Memorando Técnico de Entendimentos", que juntamente com o "Memorando de Política Econômica" completam a primeira revisão do acordo de ajuda firmado entre o Brasil e o FMI em setembro de 2001. Os documentos divulgados pelo Brasil e pelo FMI não citam a expectativa de R$ 45,7 bi para 2002, porque as metas definidas com o FMI irão apenas até setembro. A dívida líquida do setor público deverá estar, ao final de setembro deste ano, em R$ 750 bilhões e o estoque das reservas internacionais líquidas terá que estar, ao final do ano, com um piso mínimo de US$ 20 bilhões. As bandas de variação para a inflação acumulada em 12 meses também foram mantidas. De acordo com o documento, o ponto central da inflação em 12 meses, medida pela variação do IPCA, estará em 5,8% ao final de março, 5,3% ao final de junho e 4,2% ao final de setembro. A margem de variação é de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. O Brasil e o FMI estimam que a dívida líquida do setor público em 2001 ficará em torno de 56,3% do Produto Interno Bruto (PIB). A previsão anterior era de que a dívida ficasse em 2001 em torno de 54% do PIB. Segundo o "Memorando de Política Econômica" da primeira revisão, o aumento da dívida líquida reflete a taxa de câmbio mais depreciada. A desvalorização do real em 2001, segundo o documento, deverá fazer com que o déficit nominal das contas do setor público suba para 8,2% do PIB em 2001. Pela nova metodologia do BC, que não leva em conta a variação cambial no estoque da dívida, o déficit nominal ficará em torno de 3,6% do PIB. O documento não faz projeções para a relação dívida líquida e PIB e nem para o déficit nominal em 2002.

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