Para comemorar um ano de governo, Temer anuncia fim da recessão

bolsa

E-Investidor: Itaúsa, Petrobras e Via Varejo são as ações queridinhas do brasileiro

Para comemorar um ano de governo, Temer anuncia fim da recessão

Exibindo os primeiros sinais de recuperação da atividade econômica, presidente fez um contraponto com o quadro deixado pelo governo Dilma

O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2017 | 11h35

BRASÍLIA - A recessão ficou para trás e o Brasil voltou aos trilhos do crescimento. Esse foi o tom dos discursos na reunião ministerial ocorrida na manhã desta sexta-feira no Palácio do Planalto, para marcar um ano do governo de Michel Temer. Exibindo os primeiros sinais de recuperação da atividade econômica, o presidente fez um contraponto com o quadro deixado pelo governo de Dilma Rousseff.

“Encontramos um país que viveu a maior recessão da história”, disse o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, que em seguida chamou a atenção para dois pontos dessa frase. O primeiro, que a recessão vivida pelo País foi pior do que a de 1930. O segundo, o tempo do verbo, se referindo ao passado. “O Brasil já voltou a crescer”, afirmou.

“Estamos ainda vivendo os efeitos da recessão, o desemprego  está elevadíssimo e tem reação mais lenta, mas inevitavelmente começa a cair no segundo semestre”, ponderou Meirelles. O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, disse que os dados do emprego formal deverão permanecer no campo positivo a partir de maio.

Em seguida, o ministro da Fazenda listou dados para reforçar sua afirmação. O consumo de energia elétrica aumentou perto de 20% no primeiro trimestre do ano, assim como a demanda pelo aço. O número de licenciamento de veículos aumentou 24% no período. O Brasil colhe, ainda, uma safra recorde, dado que ele atribuiu à retomada da confiança. Meirelles disse ainda que a taxa de risco País caiu de perto de 500 para 200 pontos, a bolsa de valores próxima a 68.000 pontos e as agências de classificação de riscos considerando a possibilidade de melhorar as notas do Brasil.

ESPECIAL: Um ano de Temer

“Isso é conquista fundamental para um ano. O Brasil está mudando em um ano mais do que mudou em décadas”, afirmou o ministro. Ele acrescentou que a economia estava em descontrole em várias áreas e citou como exemplos o desemprego, a piora nas contas públicas e a inflação. “A inflação, que atingiu 9,28% em maio de 2016 e agora estamos com 4,08%, abaixo da meta”, disse. “Portanto, nós temos um País que começa a trabalhar, volta ao normal e volta a produzir.”

O processo de recuperação da economia depende também do aumento da produtividade, disse o ministro. Ele citou medidas em preparação pelo governo, como um programa que pretende reduzir de 101 para 7 dias e, mais adiante, para 3, o tempo usado na abertura de uma empresa. Outra frente é a redução do tempo gasto no pagamento de impostos para um quarto do que é hoje. São medidas que ajudarão o País a crescer acima de sua média histórica, disse o ministro.

 

 

Temer abriu seu discurso criticando a gestão anterior. “Quem gasta sem responsabilidade mais do que recebe terá problemas para colocar comida na mesa e manter os filhos na escola”, disse. “A vida não pode ser assim.” Por isso, explicou ele, foi fundamental aprovar a regra que limita o crescimento dos gastos públicos. “O déficit era tão elevado que não poderia ser eliminado na noite para o dia”. A opção foi por um ajuste gradativo. “Conseguimos cortar os gastos sem sacrificar em nada a área social”, afirmou.

CELSO MING: Um ano de impopularidade

Como exemplo, ele citou o reajuste de 12% dado aos benefícios do Bolsa Família e o fim da “fila” de 500.000 pessoas para entrar no programa. Temer citou ainda a elevação dos orçamentos nas áreas de Saúde e Educação, um investimento de R$ 1 bilhão no sistema prisional, a entrega de 140 mil casas no programa Minha Casa Minha Vida (foram 600.000 em 2013), a reforma do ensino médio, o aumento do número de vagas no Fies, a renegociação de dívidas dos agricultores do Norte e do Nordeste atingidos pela seca e a entrega de 60.000 títulos de terra a agricultores de baixa renda.

 

 

Outra medida ressaltada pelo presidente é a liberação dos saldos das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que deverá somar R$ 40 bilhões. Ele disse que esses recursos provavelmente ajudaram a elevar as vendas, depois de dois anos com as contas no vermelho.

Temer defendeu a reformas trabalhista e afirmou que, com essas mudanças em curso, “o investimento está voltando”. Como evidência disso, citou os leilões de portos, aeroportos, linhas de transmissão e afirmou que o mesmo sucesso deverá ser alcançado nos leilões para exploração de petróleo. Ele afirmou que, com a lei das estatais, o governo “recuperou empresas em sérias dificuldades econômicas”, de forma que a Petrobrás registrou lucro de R$ 4,45 bilhões no primeiro trimestre e o Banco do Brasil, R$ 2,4 bilhões.

“A tarefa nos próximos dias é salvar a Previdência”, disse Temer. “Não tenho dúvidas de que conseguiremos aprovar a reforma e garantir que nenhum brasileiro fique sem sua aposentadoria”. Ele disse acreditar que, do debate, sairá um sistema mais justo, sem privilégio e protegendo os mais pobres. O presidente contou ter ficado “muitíssimo chocado” com a reportagem, publicada no Estado, mostrando uma pensionista do Rio de Janeiro que estava há três meses sem receber benefício e por isso ia para a rua pedir dinheiro.futuro', que tem conteúdo programático para o Brasil", afirmou./Lu Aiko Otta, Fernando Nakagawa, Carla Araújo, Lorenna Rodrigues, Eduardo Rodrigues, Fabrício de Castro, Anne Warth, Igor Gadelha

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.