Governo está preocupado com as panes da Telefônica

Hélio Costa afirma que vai acompanhar de perto a empresa, que teve cinco falhas graves

Renato Cruz, O Estadao de S.Paulo

20 de junho de 2009 | 00h00

As panes nos serviços de telefonia fixa e banda larga da Telefônica preocupam o governo. "A gente tem acompanhado a situação, que é recorrente, e certamente com preocupação", afirmou na sexta-feira o ministro das Comunicações, Hélio Costa. "Eu tenho certeza de que a Telefônica está procurando soluções. Mas eu acho que é um problema que precisa ser visto do ponto de vista de planejamento. Está me parecendo, pelo menos é a informação que eu tenho, de que já é uma sobrecarga do sistema."O Diário Oficial da União de amanhã deve trazer uma medida cautelar da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) que suspende, por tempo indeterminado, a venda do Speedy, serviço de banda larga da Telefônica, como punição pelas panes do serviço. A operadora poderá buscar novos clientes somente quando demonstrar que tomou as medidas necessárias para regularizar o serviço.Nos últimos 12 meses, a empresa enfrentou cinco panes. Quatro afetaram o serviço de internet. A mais recente, que ocorreu há duas semanas, no entanto, impediu os telefones fixos de seus clientes de fazerem e receberem ligações. "A internet tem um impacto muito grande, até porque o próprio serviço público está dependente da internet, mas a telefonia é fundamental", destacou Costa. "É como apagar a luz. Faltar telefone é como faltar luz."Segundo o ministro, apesar de o acompanhamento da situação ser responsabilidade da equipe técnica da Anatel, o ministério também vai atuar. "Como essas ações envolvem as políticas públicas de um modo geral, nós temos que ficar também no acompanhamento", falou o ministro. "Eu vou pedir à área técnica do ministério para que faça um acompanhamento detalhado com a Telefônica. Vamos intervir positivamente."O caladão da Telefônica no último dia 9 afetou serviços públicos, consumidores e empresas. Foi o caso da DanLex Express, empresa de transportes localizada na Zona Sul de São Paulo. "Ficamos sem telefone fixo o dia inteiro", disse Rosely Souza, coordenadora de Recursos Humanos da empresa. "Costumamos receber cerca de 50 ordens de serviço por dia. Na terça-feira, perdemos de 15 a 20 chamadas. É inadmissível ter um problema como esse."No ano passado, a Telefônica ficou em último lugar no ranking de cumprimento das metas de qualidade da Anatel, entre as cinco concessionárias locais, com 87,7% das metas cumpridas, segundo a consultoria Teleco. A média nacional foi de 92%. Em março e abril, a operadora também ficou na lanterna, com 81% das metas cumpridas, ante as médias nacionais de 87,5% e 87%, respectivamente.Segundo a Telefônica, a pane da telefonia fixa do começo do mês aconteceu por causa de falhas em seus seis pontos de transferência de sinalização. Isso levou com que as centrais telefônicas deixassem de reconhecer se as linhas estavam disponíveis. A empresa afirmou que o funcionário de um dos fornecedores, responsável por atualizar os bancos de dados desses pontos de transferência, agiu em desacordo com as normas. Ele deveria fazer a atualização à noite, quando o tráfego é menor, e nunca sequencialmente, como foi feito. Caso tivesse feito a atualização de forma gradual, e o problema acontecesse em somente um dos pontos de transferência, os outros cinco teriam garantido o funcionamento da rede, de acordo com a Telefônica."É difícil formar uma opinião sem estar lá, mas com certeza foi um problema técnico", disse Almir Munhoz, presidente do Sindicato de Trabalhadores em Telecomunicações (Sintetel). "Que a empresa não coloque a culpa em quem não tem, que é o trabalhador." A própria Telefônica reconheceu que o terceirizado era um profissional experiente, especializado no sistema em que dava manutenção. Com as panes, a operadora foi criticada pela forma com que contrata terceirizados. "Ela compra os equipamentos mais modernos, mas investe pouco em manutenção", disse um prestador de serviço, que pediu para não ser identificado. A Telefônica afirmou seguir as melhores práticas internacionais em seus contratos de terceirização.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.