Governo estima produção recorde de cana em 2008

Demanda crescente por etanol levará País a produzir até 631,5 milhões de toneladas de cana neste ano

Gustavo Porto, da Agência Estado,

29 de abril de 2008 | 15h02

A forte demanda pelo álcool combustível fará com que o Brasil produza entre 607,8 milhões de toneladas e 631,5 milhões de toneladas e processe de 558,1 milhões de toneladas a 579,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2008, um recorde, de acordo com a primeira estimativa do governo, divulgada nesta terça-feira, 29, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em Ribeirão Preto (SP). O crescimento na colheita sobre 2007 deve variar de 8,8% a 13,1% e o aumento na moagem para a produção de álcool e açúcar deve ser de 11,3% a 15,6% sobre as 501,5 milhões de toneladas processadas em 2007. A Conab prevê que 55,5% da cana moída pela indústria sucroalcooleira, ou seja, entre 309,8 mi de t e 321,9 mi de t, terão como destino à produção de álcool e 44,5% (entre 248,3 mi de t e 257,9 mi de t) serão destinados ao açúcar. A cana colhida deve gerar ainda entre 49,68 mi de t e 51,75 mi de t para outros fins, como a produção de sementes, mudas, cachaça, rapadura e alimentação animal. A área total de cana no País deve aumentar, entre 2007 e 2008, 11,43%, de 7 milhões de hectares para 7,8 milhões de hectares. Álcool A produção brasileira de álcool em 2008 será, de acordo com a Conab, de 26,45 bilhões de litros a 27,49 bilhões de litros, aumento de 14,97% a 19,46% sobre os 23 bilhões de litros de 2007. Com 90% do processamento, o Centro-Sul do Brasil deve produzir entre 24,1 bilhões e 25 bilhões de litros de álcool, e o Nordeste, com os 10% restantes, vai gerar entre 2,4 bilhões e 2,5 bilhões de litros. A disparada na demanda no mercado interno, com o uso do etanol nos veículos flex, cuja frota já ultrapassa 5 milhões de unidades, fará com que a produção de álcool hidratado tenha a maior variação no crescimento entre todos os dados divulgados pela Conab. De acordo com a estatal, a produção de hidratado no Brasil em 2008 será de 16,9 bilhões de litros a 17,5 bilhões de litros, altas de, respectivamente, 17,5% e 22%. A produção de álcool anidro, usado na mistura em 25% à gasolina, vai crescer entre 10,9% e 15,2%, de acordo com a Conab, para entre 9,6 bilhões de litros e 10 bilhões de litros. O Brasil deve exportar ainda 4,2 bilhões de litros e álcool em 2008, a maioria deste volume (2,5 bilhões de litros) para os Estados Unidos. Açúcar Já a produção brasileira de açúcar vai crescer entre 8,27% e 12,41% em relação a 2007, de acordo com a Conab, e irá variar entre 33,87 milhões de t e 35,16 milhões de t. O Centro-Sul vai produzir entre 28,8 milhões de t e 29,9 milhões de t. Já a produção do Nordeste deve ser de 5 milhões de t a 5,2 milhões de t. De acordo com a Conab, os principais motivos para o aumento na produção de cana são o clima favorável, os investimentos em tecnologia nas unidades sucroalcooleiras e o cultivo de variedades mais produtivas.  O levantamento foi realizado por 49 técnicos da companhia entre 31 de março e 11 de abril, com a visita em 361 unidades produtoras, além de sindicatos, entidades de assistência técnica e extensão rural, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e outros órgãos governamentais. Área A área de cana-de-açúcar para a indústria sucroalcooleira no Brasil cresceu 653,72 mil hectares entre 2007 e 2008, e 64,7% dessa ampliação, ou 423,12 mil hectares, ocorreu sobre pastagens, de acordo com o estudo "Perfil do Setor do Açúcar e do Álcool no Brasil", divulgado pela Conab. Os dados apontam que as lavouras de soja cederam 110,44 mil hectares, ou 16,9% do total da área ampliada em cana no País. Milho e laranja cederam, respectivamente, 32,21 mil e 30,79 mil hectares para a cana-de-açúcar entre as duas safras, de acordo com o estudo da Conab. A maior parte do avanço da cultura canavieira ocorreu na região Centro-Sul, com 617,01 mil hectares de crescimento, seguido do Norte e Nordeste, com 36,7 mil hectares.

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