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Governo 'estranha' interpretação de comunicado do Copom

Parcela do mercadointerpretou a manutenção da expressão 'neste momento' como indício de corte do juro em setembro

FERNANDO DANTAS / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2014 | 02h02

A evolução da inflação efetiva e da inflação esperada entre as reuniões do Copom de maio e de julho não justifica a mudança radical, por parcela expressiva do mercado, da interpretação dos comunicados idênticos divulgados após as duas reuniões - e, particularmente, da expressão "neste momento" que constou de ambos. A avaliação é de uma fonte do governo, próxima aos executores da política econômica.

Em maio, o mercado interpretou a expressão como uma forma de o BC sinalizar que, diante de um cenário de incertezas, reservava-se o direito de mudar de postura ao longo das próximas reuniões, após manter a Selic em 11%. Na verdade, a interpretação do mercado tendeu até mais a ser a de que uma eventual retomada da elevação da Selic poderia acontecer em algum momento futuro, não necessariamente a prazo muito curto.

A repetição do mesmo comunicado e a mesma expressão em julho, porém, levou a uma interpretação bastante diferente. Uma forte corrente do mercado viu o "neste momento" como uma indicação de que, diante dos dados muito fracos de atividade, o Banco Central cogitaria começar a cortar a Selic já na próxima reunião de setembro. "Diante da dinâmica da inflação efetiva e da esperada, fico na dúvida se está havendo um exercício de interpretação da comunicação do BC ou um exercício de adivinhação", disse a fonte.

A fonte observa que a inflação acumulada em 12 meses até maio, último dado existente na reunião do Copom do mesmo mês, era de 6,37%. Já a inflação em 12 meses até junho, disponível na reunião de julho, subiu para 6,52%. As expectativas para o IPCA de 2014 e 2015 eram de, respectivamente, 6,47% e 6%, quando aconteceu a reunião de maio, e de 6,48% e 6,1%, na reunião de julho. Em outras palavras, não houve melhora.

No Relatório Trimestral de Inflação de junho, o BC deixou claro que via um cenário de inflação resistente. A visão é de que, mantidas as condições monetárias, a inflação tenderia a entrar em trajetória de convergência para o centro da meta só bem mais adiante, a partir do final de 2015. "Olhando os dados de inflação e o relatório de junho, não consigo identificar elementos que levem a se mudar a interpretação de um mesmo comunicado", diz.

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