Governo estuda alta dos combustíveis

O governo ainda não definiu se fará um novo aumento no preço dos combustíveis e nem quando isso deve acontecer. A tendência é de que segure este reajuste até o momento em que esse aumento não comprometa a meta anual de inflação do governo para 2000, que é de 6%. Ontem, o ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, negou que o governo já tivesse definido o porcentual e o momento em que autorizará um novo reajuste dos combustíveis. Hoje, o ministro Pedro Parente confirmou que "ainda não está nada decidido a este respeito".De acordo com um técnico do Ministério da Fazenda, qualquer reajuste feito agora só servirá para reduzir a defasagem registrada entre o preço dos combustíveis no mercado interno e no exterior. Se a opção política for pelo aumento, o período considerado ideal é a segunda quinzena de novembro, quando o reflexo nos índices inflacionários não comprometeria a meta de inflação.Parente admite defasagem no preço dos combustíveisO ministro chefe da Casa Civil da Presidência da República, Pedro Parente, admitiu que há uma defasagem nos preços dos combustíveis em relação a alta do barril do petróleo no mercado internacional nos últimos meses. Segundo ele, a esperança do governo brasileiro era que o preço do barril de petróleo oscilasse na banda definida pela Opep, de US$ 22 a US$ 28. "Infelizmente estamos acumulando um prejuízo na conta petróleo porque o preço do barril continuou a subir", afirmou. Impacto na inflaçãoDepois de divulgar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro - alta de 0,14% -, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) calculou que um reajuste de 5% nos preços dos combustíveis nas refinarias, a partir da semana que vem, e na hipótese de ser integralmente repassado para os consumidores finais, elevaria o IPCA de novembro em 0,10 ponto porcentual e mais 0,10 pontos percentual em dezembro. No acumulado do ano, o IPCA está em 5,01%.Aumento poderia ter impacto negativo no mercado financeiroPara o economista Fábio Akira, da Tendências Consultoria Integrada, "a aprovação de um reajuste exatamente agora, quando os mercados estão agitados, poderia proporcionar um impacto psicológico negativo". Ele acrescenta que, "se o reajuste ocorrer até o fim de novembro, evitará que o impacto inflacionário da medida seja transferido para janeiro de 2001."Álcool já aumentou nas usinasA expectativa de aumento dos combustíveis já produziu pelo menos um resultado: o aumento dos preços do álcool combustível nas usinas. O álcool anidro, que vinha sendo negociado a R$ 0,65 o litro em meados de outubro, subiu para R$ 0,67. O álcool hidratado aumentou, no mesmo período, de R$ 0,54 para R$ 0,57 o litro. Fontes do setor sucroalcooleiro atribuem os reajustes à antecipação de compras de distribuidoras, por conta da expectativa de reajuste.

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