Jarbas Oliveira/Estadão
Jarbas Oliveira/Estadão

Governo estuda ampliar ‘Minha Casa’ para famílias mais pobres

Ideia é beneficiar famílias mais carentes, especialmente a faixa 1 - que têm renda familiar de até R$ 1,8 mil e pagam prestações mensais entre R$ 80 e R$ 270 por até 120 meses

Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2018 | 20h56

BRASÍLIA-  O governo estuda ampliar o programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida" (MCMV) para famílias carentes. A iniciativa tenta dar ânimo ao setor da construção civil ao mesmo tempo em que dá uma resposta federal ao debate sobre habitação popular após o desabamento do edifício ocupado por famílias carentes no centro de São Paulo. O estudo para ampliar o programa habitacional foi confirmado pelo presidente da Caixa Econômica Federal, Nelson Antônio de Souza. O tema é acompanhado de perto pelo presidente Michel Temer.

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A ampliação do programa tende a ocorrer com o remanejamento de recursos e injeção de dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Segundo pessoas que acompanham o debate no governo, a ideia é beneficiar famílias mais carentes, especialmente a faixa 1 - que têm renda familiar de até R$ 1,8 mil e pagam prestações mensais entre R$ 80 e R$ 270 por até 120 meses. Algumas das opções também contemplam a ampliação do número de casas da faixa 1,5 - com renda entre R$ 1,8 mil e R$ 2,6 mil, mas a prioridade são as famílias mais pobres.

O tema foi debatido nesta tarde no Ministério do Planejamento, exatamente a pasta que administra imóveis da União, inclusive o edifício Wilton Paes de Almeida que foi consumido pelo fogo e desabou em São Paulo. A proposta é aumentar o número de famílias beneficiadas na base do MCMV. Reportagem do Estadão/Broadcast publicada em janeiro mostrou que em 2017 o governo contratou apenas 23 mil moradias destinadas a famílias que ganham até R$ 1,8 mil. Isso representa apenas 13,5% da meta de 170 mil unidades para o ano.

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Ao deixar reunião com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, o presidente da Caixa, Nelson Antônio de Souza, confirmou os estudos. Segundo ele, o tema é analisado conjuntamente pelos ministérios das Cidades, Planejamento, Fazenda e a própria Caixa. Questionado sobre a perspectiva de benefício das famílias da faixa 1,5 - com renda entre R$ 1,8 mil e R$ 2,6 mil, Nelson Antônio de Souza disse que "não sei se vai chegar" a esse grupo intermediário.

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"Tudo será feito de maneira bastante responsável. Essa é uma orientação do próprio presidente e da equipe econômica", disse o presidente da Caixa. O modelo para a ampliação e a palavra final será do próprio presidente Temer. Atualmente, o governo prevê 650 mil unidades habitacionais em 2018 para todas as faixas do MCMV que beneficia famílias com renda de até R$ 7 mil.

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Com o reforço do programa habitacional, o governo Temer tenta incentivar a atividade da construção civil, segmento que tem grande capacidade de geração de empregos. Ao mesmo tempo, seria uma maneira de Brasília reagir ao problema da habitação popular urbana que voltou ao centro do debate nacional após a tragédia no centro da capital paulista.

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