Governo estuda baixar impostos sobre importação de insumos

De acordo com Mantega, decisão depende do câmbio e de conversas com setores interessados; em entrevista, ministro da Fazenda também disse que inflação voltará para abaixo do teto da meta neste semestre

Eduardo Rodrigues, Adriana Fernandes e Laís Alegretti, da Agência Estado,

05 de julho de 2013 | 16h38

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou na tarde desta sexta-feira, 5, que o governo analisará as variações do câmbio para, talvez, baixar alíquotas de importação de insumos básicos na mesma proporção até setembro.

Segundo ele, esta medida não será imediata. Os setores serão chamados para conversar antes de qualquer decisão ser tomada. "Será planejado para que os setores não tenham perdas", comentou.

Qualquer alteração, assegurou mais de uma vez o ministro, dependerá de comportamentos do câmbio.

"Ano passado, elevamos as alíquotas de importação de aço, fertilizantes, produtos químicos, vidros, entre outros, como incentivo para o produtor nacional competir com importados no Brasil", disse.

Na ocasião, diz ele, ficou combinado com os setores que não haveria elevação dos preços. "Mas algumas indústrias fizeram reajustes e ocorreu a alta do dólar neste período", afirmou Mantega. "Com isso, o câmbio passou a ser uma defesa natural para os insumos."

De acordo com Mantega, a redução nas alíquotas de importação para patamares mais próximos dos originais, que vigoraram até setembro do ano passado, também ajudaria a conter pressões inflacionárias advindas destes insumos.

"Até setembro, vamos observar se o dólar se fixa em outro patamar. Não queremos atrapalhar estes setores, mas temos que ter equilíbrio", declarou.

Inflação fora da meta. Sobre o índice de inflação (IPCA) de 6,7% divulgado na manhã desta sexta, Mantega disse que a tendência é de redução daqui para a frente - "em algum momento", nas suas palavras.

A medição atualmente está acima do teto estipulado pelo Banco Central para este ano, de 6,5% em 12 meses. Mas Mantega entende que, até dezembro, índice estará dentro da margem planejada.

Para ele, foi "muito importante" a alta dos preços em junho ter sido de 0,26%. "Se você olhar os componentes, caíram alimentação, habitação e serviços. Foram praticamente todos os itens", declarou. "Esperamos que continue assim nos próximos meses."

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