Governo estuda política industrial e prevê recorde comercial

Ministro do Desenvolvimento anuncia que medidas sairão em dois meses. Mas, antes disso, já prevê novo recorde da balança comercial para o 1º semestre

Agencia Estado

27 de junho de 2007 | 16h18

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior estuda uma nova política industrial, em parceria com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O anúncio foi feito na manhã desta quarta-feira, 27, pelo ministro Miguel Jorge. As medidas, que estão sendo elaborada em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (Abdi), serão anunciadas em dois ou três meses. Mas, antes disso, Miguel Jorge já prevê novo recorde da balança comercial. Segundo ele, o superávit deve ficar acima de US$ 20 bilhões. Em 2006, o saldo no primeiro semestre foi de US$ 19,5 bilhões.Ele destacou ainda que as exportações continuam batendo recordes e que, com o real valorizado, muitos setores produtivos estão aproveitando o momento para modernizar o seu parque industrial. Contudo, alertou que há setores importantes da economia que já trabalham com o nível médio de utilização da capacidade instalada acima de 90%, há mais de 12 meses. O ministro citou como exemplo os setores metalúrgico e de papel e celulose.Miguel Jorge, que participa de audiência pública na Comissão de Desenvolvimento, Indústria e Comércio da Câmara, afirmou ainda que os setores afetados pelo câmbio têm sido amparados pelo governo. "O câmbio no Brasil é flutuante e é natural que a taxa oscile em busca do equilíbrio de mercado. O papel do governo é criar as condições de infra-estrutura, crédito e regulamentação para que a nossa economia ganhe competitividade", afirmou o ministro.Segundo ele, o Ministério também tem adotado medidas para proteger os setores prejudicados pelas importações da China. Ele disse que o Ministério tem feito um minucioso acompanhamento dos preços de importação de calçados, para apurar e evitar fraudes e subfaturamentos. Miguel Jorge destacou ainda a necessidade de o Congresso Nacional aprovar com urgência as ações previstas no PAC e a reforma tributária. "O crescimento da indústria e a geração de empregos no Brasil dependem de uma abordagem suprapartidária para essas questões", disse o ministro.Miguel Jorge ainda destacou que a taxa de investimento no País, que já está em quase 17% do PIB, ainda é insuficiente para gerar um crescimento robusto e de longo prazo. Ele também ressaltou a meta do governo de promover um crescimento econômico de 5% do PIB ao ano, nos próximos quatro anos, o que, segundo ele, seria o mínimo necessário para um crescimento sustentado.Cenário favorávelTomando por base a expectativa de um cenário favorável para a indústria, o ministro destacou as políticas de desoneração tributária adotadas por seu ministério e afirmou que elas são uma saída para qualquer país que queira ter um crescimento econômico e tornar competitivo o setor produtivo.Miguel Jorge apontou ainda a queda das taxas de juros no País. Reconheceu que as taxas ainda estão acima do desejado, mas disse que deverão continuar caindo. Citou como exemplo o financiamento de automóveis. Há cinco anos, disse, os financiamentos eram feitos pelos bancos das montadoras; e atualmente a alavancagem é feita pelo setor financeiro, com prazos de até 78 meses.Energia nuclearMiguel Jorge defendeu a decisão do governo de retomar a construção da usina nuclear Angra 3, em Angra dos Reis (RJ). Ele afirmou que a construção de Angra 3 é um projeto "imprescindível" para o País e vai gerar "energia limpa e segura". O ministro do Desenvolvimento acrescentou que vários países estão investindo em energia nuclear, e aqueles que não o fazem compram a energia nuclear do país vizinho. "Angra 3 terá um papel importante na nossa matriz energética", declarou.

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