Governo evita palavra 'pacote', mas Bernardo confirma medidas

Lula e Mantega devem se reunir para analisar as mudanças que depois serão aprovadas em reunião do CMN

Renata Veríssimo e Adriana Fernandes, da Agência Estado,

12 de março de 2008 | 12h40

Apesar de não tratar como um pacote as medidas cambiais que podem ser anunciadas nesta quarta-feira, 12, o governo continua focado na preparação de novas regras que poderão reduzir a desvalorização do dólar frente ao real. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, confirmou nesta quarta-feira o estudo de medidas "pontuais" de ajuste na área cambial, mas negou que se trate de um pacote. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva devem se reunir para analisar as mudanças. Depois de submetidas ao presidente, tais medidas serão encaminhadas para o Conselho Monetário Nacional (CMN).   Veja também:  Economia brasileira cresce 5,4% em 2007   Governo anuncia hoje primeiras medidas para conter queda do dólar  Objetivo é desestimular entrada de capital especulativo  Medidas são inócuas, dizem economistas    Mantega disse hoje que a taxa de câmbio atual tem o aspecto positivo de baratear a importação de bens de capital. Ele, no entanto, admitiu que o câmbio "é uma faca de dois gumes" porque encarece o produto exportado. No final desta manhã, o dólar comercial era negociado em torno de R$ 1,68, no mesmo nível de maio de 1999.   A política industrial deve ter um forte viés exportador, principalmente para estimular a venda de manufaturados", acrescentou Mantega, ao se referir à política industrial em elaboração pelo governo. "Queremos manter o setor externo como um pilar da economia brasileira", disse o ministro. Ele destacou ainda que o governo vai continuar reforçando as reservas internacionais brasileiras. Ele destacou que esse reforço tem permitido ao País enfrentar a crise externa. O ministro avaliou que a crise externa tornou-se mais grave. "Temos que nos precaver", disse o ministro.   Mantega admitiu que, com o agravamento da crise externa, é possível que haja uma desaceleração do crescimento brasileiro em 2008. Hoje, disse o ministro, a economia cresce à taxa de 6%, depois da aceleração verificada a partir do segundo semestre de 2007. "A economia começou o ano acelerada. Mas, em função da crise internacional, é possível que haja desaceleração", disse Mantega. Para o ministro, um crescimento de 5% em 2008 é bastante razoável.   Impostos e juros   Ao ser questionado sobre a elevada carga tributária, o ministro respondeu que a arrecadação de impostos tem subido graças ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). "A arrecadação cresce mais que o PIB em períodos virtuosos. Essa é a melhor situação fiscal", disse.   Em relação ao elevado patamar do juro brasileiro, que voltou a ser o maior do mundo em termos reais, Mantega disse que o Brasil tem praticado a menor taxa de juro real da década. Ele disse também que a Selic explica apenas 40% do crédito no Brasil e que as outras linhas de financiamento, como do BNDES e do setor agrícola, têm taxas de juros menores. "Não podemos falar só sobre juro da Selic. O custo de capital está caindo no Brasil", afirmou ele. Segundo o ministro, o Brasil tem uma taxa básica de juros elevada, mas que poderá cair nos próximos anos.   Ele destacou ainda que o governo vai continuar reforçando as reservas internacionais brasileiras. Ele destacou que esse reforço tem permitido ao País enfrentar a crise externa. O ministro avaliou que a crise externa tornou-se mais grave. "Temos que nos precaver", disse o ministro.   Ele admitiu que, com o agravamento da crise externa, é possível que haja uma desaceleração do crescimento brasileiro em 2008. Hoje, disse o ministro, a economia cresce à taxa de 6%, depois da aceleração verificada a partir do segundo semestre de 2007. "A economia começou o ano acelerada. Mas, em função da crise internacional, é possível que haja desaceleração", disse Mantega. Para o ministro, um crescimento de 5% em 2008 é bastante razoável.   Mantega insistiu na necessidade de prudência porque a "crise é séria". Ele afirmou ainda que o crescimento de 2007, de 5,4%, deve ser revisto pelo IBGE, mas não quis fazer previsões. Ele destacou que, no passado, a crise que começou em agosto de 2007 teria provocado desaceleração imediata da economia e aumento de juros, o que não aconteceu.

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