Governo evitará comentários sobre acordo com FMI

A falta de uma resposta positiva domercado financeiro às seguidas declarações de apoio ao Brasilfeitas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e porautoridades norte-americanas está preocupando o governo. A altacontínua do dólar - que hoje chegou a R$ 3,60 e só recuoudepois de uma forte intervenção do Banco Central - foi o tema dareunião, pela manhã, da Câmara de Política Econômica. No inícioda tarde, uma análise da situação foi levada pessoalmente aopresidente Fernando Henrique Cardoso pelos ministros da Fazenda,Pedro Malan, e da Casa Civil, Pedro Parente. A avaliação do governo, segundo fontes ouvidas pelaAgência Estado, é de que a economia passa por uma situaçãocomplexa, que reflete o cenário internacional adverso e asexpectativas desfavoráveis em relação à campanha do candidato daaliança PMDB-PSDB, José Serra, e se traduz na deterioração dorisco Brasil e na redução das linhas de financiamento para oPaís. Diante disso, "pouco importa" a reafirmação diária deque o novo acordo com o FMI será fechado a curtíssimo prazo, bemcomo o pronunciamento feito ontem pela Casa Branca, respaldandoa política econômica brasileira. A reunião da Câmara de PolíticaEconômica teve a participação do presidente do Banco Central,Armínio Fraga, e de diretores da instituição. Segundo fontes, a notícia de um acordo com o FMI seriaum fator decisivo para reverter o humor do mercado. Mas como oacerto não está pronto, a ordem é evitar declarações para quenão haja desgaste ainda maior. Na sexta-feira, por exemplo, omercado reagiu mal a uma entrevista em que o ministro PedroMalan pretendia acalmar os investidores, mas nada de concretotinha a anunciar. "Precisamos de cautela e muito trabalho",disse uma fonte. O governo também acha que a divulgação do programa deSerra poderá levar a classe empresarial, que atualmentedemonstra simpatia pela candidatura de Ciro Gomes, da FrenteTrabalhista, a engajar-se mais efetivamente na campanha dotucano. A área econômica também está firmemente convencida deque a reação exagerada do mercado não reflete a situação real doPaís. As fontes lembraram que, durante sua passagem pelo Brasil,na semana passada, a vice-diretora-gerente do FMI, Anne Krueger,ficou impressionada com os bons números da economia, como amanutenção do superávit nas contas públicas e recuperação dabalança comercial. Nada disso, porém, tem sido suficiente paramanter a cotação do dólar em um nível razoável. Boa parte do agravamento da crise, segundo a avaliaçãooficial, deriva das pesquisa eleitorais, ainda desfavoráveis aSerra, e das declarações de Ciro Gomes em defesa de mudanças nasregras de tratamento do capital estrangeiro. O candidato daFrente Trabalhista, propôs, por exemplo, mudanças nas normas dascontas CC-5, que permitem a remessa de divisas para o exterior,o que teria aumentado a insegurança do mercado.

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