Governo exagera no potencial exportador do pré-sal, diz estudo

MB Associados concluí que o consumo interno de combustíveis estará no mesmo nível da produção em 2020

Nicola Pamplona, da Agência Estado,

21 de setembro de 2009 | 16h31

Estudo divulgado nesta segunda-feira, 21, pela consultoria MB Associados indica que o governo superestima o potencial exportador das reservas do pré-sal. O trabalho considera um crescimento da economia de 4,5% por ano, em média, e conclui que o consumo interno de combustíveis estará no mesmo nível da produção em 2020. "O País tem perspectiva de forte crescimento nos próximos anos, o que pode jogar um pouco de água fria na rapidez que se coloca nos retornos do pré-sal", diz o relatório, assinado pelo economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale.

 

Veja também:

linkPara IBP, operadora única no pré-sal não é ideal

linkBernardo defende divisão de royalties entre Estados

especialO novo marco regulatório do petróleo

especialO caminho até o pré-sal

especialMapa da exploração de petróleo e gás 

 

Ele argumenta que a elasticidade entre PIB e consumo de petróleo é de 1,6 e, mantida a projeção de crescimento do PIB, o Brasil estará consumindo 3,9 milhões de barris por dia em 2020 - mesmo volume que a Petrobrás estará produzindo naquele ano. "Ou seja, a Petrobrás está trabalhando com estimativas que podem não levar a excedente exportador nos próximos 10 anos", conclui o texto. Para 2030, mantido o ritmo de crescimento econômico, a MB projeta um consumo de 7,2 milhões de barris por dia, "o que deve ser coberto com o pré-sal, mas joga dúvidas ainda na capacidade exportadora".

 

Para o economista, também não deve haver grande crescimento de importações, uma vez que a necessidade de equipamentos pode ser compensada por uma queda na importação de combustíveis - já que há novas refinarias em estudo pela estatal. "Talvez toda a discussão sobre maldição do petróleo e doença holandesa esteja equivocada pelos próximos 10 anos." O trabalho questiona ainda a questão da eficiência energética e dos combustíveis renováveis, que poderiam ser colocados em segundo plano com a produção de petróleo em grande escala.

Tudo o que sabemos sobre:
pré-salpotencialexportação

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.