Governo fará 'esforço bestial' para ter Angra 3, diz Lobão

'O Brasil precisa dessa energia e vamos começar a construção', afirma ministro sobre usina nuclear

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

25 de julho de 2008 | 12h10

O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, disse nesta sexta-feira, 25, que o governo fará "um esforço bestial" para atender às exigências ambientais determinadas para Angra 3. "O ministro Minc nos disse que está fazendo exigências brutais, e nós estamos fazendo um esforço bestial para resolver essas exigências, o Brasil precisa dessa energia e vamos começar a construção", disse. Segundo ele, a construção de Angra 3 deve começar em setembro mesmo que não haja até lá uma solução definitiva para a questão do lixo tóxico. "Não se tem ainda um tratamento absolutamente definitivo, que é o que ele (o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc) preconiza, e nós não somos contrários a isso. Achamos que devemos ter todo o cuidado nessa matéria, mas também não vamos levá-la ao paroxismo", afirmou. Ele disse ainda que "essa não é uma questão fundamental ao ponto de paralisar ou de não construir a usina". O ministro citou o exemplo da Coréia, país que segundo ele, "entulha o lixo em uma prateleira, não diria que sem cuidados, mas sem cuidados absolutos". Indagado se as exigências ambientais de Angra 3 poderão vir a se tornar uma polêmica entre integrantes do governo, Lobão respondeu que "não haverá embate no governo, todos temos consciência da necessidade dessa energia". Ele participou de evento do projeto Centenário do Theatro Municipal, no Rio.  Jirau Lobão disse também que o contrato da hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia, será assinado provavelmente em agosto deste ano e, em seguida, os empreendedores deverão apresentar o projeto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) "que também deverão decidir rapidamente". O ministro disse, sobre Jirau, que "todos os projetos têm seus problemas, mas as qualidades são superiores aos defeitos, e acredito que não teremos nenhum problema maior com Jirau".Segundo ele, o governo tem conversado com as duas empresas (Odebrecht e Suez) que lideram os consórcios que estão em conflito em relação à Jirau "para que elas cheguem a uma conclusão entre si". De acordo com Lobão, no caso específico de Furnas, que faz parte do consórcio da Odebrecht, a empresa "seguirá a orientação do governo assim como as demais estatais ligadas à Eletrobrás". O ministro afirmou que a principal preocupação do governo hoje é de que não haja atraso no prazo do início das obras de Jirau. Pré-sal O ministro falou ainda sobre a definição das regras para exploração dos blocos de petróleo da camada pré-sal. Segundo ele, o presidente Lula recomendou que elas estejam definidas em 60 dias, "mas poderemos ir a 90, 120 dias se necessário. O objetivo é fazer o melhor". Lobão confirmou que na próxima segunda-feira haverá uma reunião para discutir as regras pré-sal.

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