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Governo favorece as PJs na distribuição do crédito

As estatísticas relativas ao crédito em novembro revelaram um ponto importante: a expansão veio basicamente da oferta das instituições públicas, enquanto as instituições privadas mostraram-se muito prudentes.

O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2011 | 03h08

O que se observa é que, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o crédito fornecido pelas instituições públicas passou, entre outubro e novembro, de 20,1% para 20,6%; nas instituições privadas nacionais, foi de 19,1% para 19,2%; e nas instituições estrangeiras, de 8,2% para 8,3%. O volume de crédito não cresceu tanto quanto no ano passado, mas já representou, em novembro, 48,2% do PIB.

No mês de novembro, o crédito total apresentou aumento de 1,9% (16,3% no ano), e é interessante que, no caso das operações com recursos livres, o crescimento no mês foi de 1,4%, mas chegou a 2,9% no caso dos recursos direcionados, que dependem das instituições públicas.

Isso já é suficiente para perceber que, depois de ter cometido um erro no início do ano, com sua tentativa de conter a expansão de crédito, o governo neste final de ano procurou corrigi-lo para dar impulso à economia. É verdade que essa intervenção se fazia necessária também em razão da greve que, em outubro, afetou o sistema financeiro privado.

A análise dos dados mostra um outro aspecto da intervenção do governo, que procurou favorecer essencialmente as empresas, e não as pessoas físicas (PFs): os empréstimos livres para estas ficaram em 15,6% do PIB, enquanto para as empresas passaram de 30,7% a 30,9% do PIB, sem acrescentar ainda os recursos direcionados, que se destinaram na proporção de quase 60% para as pessoas jurídicas (PJs).

Se se examinam os créditos para o setor automobilístico, a constatação é de que em novembro aumentaram 2,2%, para as empresas, ante 0,3% apenas, para as famílias.

O estoque de crédito livre cresceu 2,8%, para as pessoas jurídicas, e 1,6%, para as pessoas físicas, e as concessões de crédito, respectivamente, 9,5% e 4,4%. Apesar de uma inadimplência que chegou a 7% para as famílias, os bancos reduziram para 2,4% ao mês as taxas para elas, embora paguem, em média, 44,7% ao ano, ante 29,8% das empresas, o que é muito pesado, de qualquer forma, sob uma inflação menor que 6%.

O governo precisa rever a política de crédito, que não pode ser o instrumento privilegiado de combate à inflação, pois, deste modo, torna-se um grande empecilho para enfrentar a concorrência internacional e expandir a indústria brasileira.

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