Governo faz plano de R$ 500 milhões para software e TI

Programa tem a meta de desenvolver a área de tecnologia no País, mas especialistas afirmam que volume de recursos é insuficiente

ETHEVALDO SIQUEIRA, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2012 | 03h06

O Programa TI Maior - Programa Estratégico de Software e Serviços de Tecnologia da Informação, do governo federal, faz um dos mais completos diagnósticos dos problemas setoriais e de suas necessidades, mas, segundo especialistas, prevê investimentos modestos e insuficientes do setor público - da ordem de R$ 500 milhões.

Lançado ontem, em São Paulo, o TI Maior abrange o período 2012-2015 e tem como principal objetivo fomentar a indústria de software e serviços na área de tecnologia da informação (TI). Na área educacional, prevê a formação e "capacitação de 50 mil jovens" até 2015. Especialistas lembram que a Coreia do Sul forma mais do que esse número anualmente, em nível de pós-graduação.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp, afirmou que o governo quer que "a produção de software cresça no Brasil a uma taxa muito alta, e que esse crescimento represente divisas para o País, geração de renda para as empresas e criação de postos de trabalho qualificados".

O programa foi apresentado em detalhes pelo professor Virgílio Almeida, secretário de Política de Informática do ministério. Depois de um longo diagnóstico do setor de TI e de suas implicações no desenvolvimento brasileiro, ele anunciou o investimento total de R$ 500 milhões - considerado "insuficiente e tímido" por especialistas e por entidades profissionais do setor.

O TI Maior, com ênfase na participação das entidades privadas e na maioria dos investimentos já em curso no setor público, prevê a ação de incubadoras e de aceleradoras de empresas com base tecnológica, consolidação de ecossistemas digitais, preferência para software com tecnologia nacional nas compras governamentais, capacitação de jovens para atuar na área de TI e atração de centros de pesquisa globais.

O professor Virgilio Almeida destacou que um dos maiores desafios do programa será a redução da defasagem científica e tecnológica que separa o Brasil das nações mais desenvolvidas. "O setor de TI já tem 73 mil empresas no Brasil e faturou US$ 37 bilhões apenas em 2011, ou seja, nossa indústria é qualificada. O TI Maior chega para fomentar esse campo portador de inovação, acelerando os demais setores econômicos do País."

Apoio às empresas. Um outro ponto importante do programa TI Maior será o fomento às novas empresas de software e de TI em geral, sob a forma de startups, aceleradoras de pesquisa e desenvolvimento na área de softwares e serviços.

Esse apoio às novas empresas será estruturado por uma "rede de mentores e investidores, por meio de consultorias tecnológicas, institutos de pesquisa e incubadoras, parcerias com universidades, articulação com grandes empresas nacionais e internacionais, além de programas de acesso a mercado e compras públicas".

A certificação de software e serviços (Certic's) deverá ser ampliada para se estabelecer uma metodologia de avaliação do processo de preferência de compras e produtos resultantes de inovação e desenvolvimento tecnológico local, atendendo ao disposto na Lei 12.349/2010. O Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, vinculado ao MCTI, será responsável por emitir essas certificações.

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