TARSO SARRAF
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Por reforma da Previdência, governo enquadra ministros e redistribui cargos

Presidente pediu esforço de três ministros para que aumentem a pressão sobre os deputados de seus partidos pela aprovação da proposta; em paralelo, liberou mais recursos para os parlamentares e destravou nomeações para agradar a aliados

O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2017 | 15h05

BRASÍLIA – Com apenas uma semana para aprovar a reforma da Previdência ainda este ano, o presidente Michel Temer decidiu enquadrar ministros para que obriguem seus deputados a votarem a favor da proposta. Em troca de apoio também intensificou a negociação de cargos e acelerou a liberação de emendas parlamentares. 

Na ofensiva em busca dos 308 votos necessários para aprovar o texto, Temer pediu aos ministros da Educação, Mendonça Filho (DEM); da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD); e dos Transportes, Maurício Quintella (PR) para que convençam suas bancadas a fecharem questão a favor da reforma – ou seja, que obriguem os deputados a votarem como o partido manda, sob o risco de punição.

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O Placar da Previdência, do Grupo Estado, mostra que 40 dos 104 deputados que os três partidos têm em conjunto votam contra a reforma. Só 12 disseram ser favoráveis ao texto. Outros 26 se declaram indecisos. 

Nesta terça-feira, 12, o ministro da Educação foi até a Câmara para se reunir com os deputados do DEM. No encontro, propôs que o partido deliberasse sobre fechamento de questão na convenção marcada para amanhã. E saiu animado. “Temos um nível de adesão muito alto.” Pelas contas do ministro, dos 30 deputados que a sigla tem hoje, 25 devem votar a favor da reforma. 

Kassab e Quintella também intensificaram conversas na bancada. “Estou trabalhando diariamente e estamos melhorando.”, afirmou o ministro dos Transportes. Sua expectativa é que a bancada, com 37 integrantes, entregue mais de 25 votos favoráveis. Kassab afirma que, após sua atuação, os votos favoráveis já alcançaram 22 dos 38 deputados. 

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O governo também acelerou a liberação de emendas parlamentares para tentar convencer os deputados. Nos primeiros dez dias de dezembro, já foram reservados R$ 474,1 milhões, mais do que os R$ 434,9 milhões de todo o mês anterior. Até domingo, foram empenhados R$ 6,2 bilhões no ano. 

Com parte da ofensiva, Temer ordenou que seus auxiliares destravassem nomeações no governo. O Diário Oficial da União (DOU) de ontem, por exemplo, trouxe mais de 10 exonerações e nomeações. 

Em Cidades, Temer exonerou Luis Paulo Vellozo Lucas do cargo de secretário nacional de Programas Urbanos, que era do PSDB. Para o lugar dele, deve ser nomeado um nome do PRB. Nos próximos dias, os outros quatro secretários serão exonerados e seus cargos serão divididos entre PP (Habitação); DEM (Transporte) e PR e PMDB. 

Temer também intensificou a negociação de cargos. Ofereceu o comando da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) ao líder do PR, José Rocha (BA). Rocha avisou que aceita o cargo, mas não garantiu seu voto. / IGOR GADELHA, DAIENE CARDOSO, FELIPE FRAZÃO E ISADORA PERON

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