Governo ficou 'perplexo' com PIB, diz Carvalho

Para o ministro, índice que aferiu o desempenho econômico do País pode não ter captado todo o movimento da economia

TÂNIA MONTEIRO , BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2012 | 04h32

O ministro-chefe da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, disse, durante o programa É Notícia, da Rede TV, na noite de ontem, que o governo ficou "perplexo" com o fraco desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012.

Para o ministro, um crescimento maior do que o 1% previsto pelo Banco Central e oficialmente medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pode ter ocorrido ainda nas últimas semanas.

Ele entende que a metodologia usada para aferir o índice pode não ter captado todos os movimentos da economia.

Carvalho admitiu ainda que existe no governo uma discussão sobre a forma pela qual é calculada o crescimento, sem explicar, no entanto, se há alguma intenção de se promover mudanças na fórmula adotada.

"Estamos ainda um pouco perplexos, tentando aferir se realmente é esse o PIB real", comentou ele, prevendo, no entanto, que 2013, vai ser o ano do crescimento.

Gilberto Carvalho lembrou que, nos primeiros anos do governo Luiz Inácio Lula da Silva, o PIB também foi muito fraco, mas, segundo ele, os primeiros anos são de montagem do governo. A afirmação do ministro deixa de levar em conta, no entanto, que o governo da presidente Dilma Rousseff é uma continuidade do governo Lula.

Questionado se o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao fazer previsões irreais em relação ao índice de crescimento da economia do País, estaria tirando credibilidade dele e da política econômica do governo federal, Carvalho respondeu: "É evidente, não vou negar".

Mas, em seguida, ressalvou que o papel do ministro Guido Mantega é fazer previsões dentro de um cenário desenhado e comentou que não se tem como avaliar o conjunto de fatores que vão interferir no processo econômico.

"Quem poderia imaginar o que aconteceu com a Grécia, Espanha ou Itália?", disse ele, acentuando que o grande problema é que o fator extra-Brasil, como a crise na Europa, acabou atuando contra a lógica do governo.

Carvalho descarta, no entanto, a possibilidade de o ministro Mantega deixar o governo. "De jeito nenhum", disse o ministro, ponderando que ele está no caminho correto.

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