Governo fixa banda informal para câmbio

Cotação do dólar varia entre R$ 2,00 e R$ 2,05 há cerca de quatro meses

EDUARDO CUCOLO / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2012 | 03h06

Dividido entre um dólar mais favorável à indústria e o efeito da alta nas cotações sobre a inflação, o governo decidiu fixar uma banda informal para a moeda norte-americana entre R$ 2,00 e R$ 2,05. Há cerca de quatro meses, o câmbio se mantém praticamente nesse patamar. No início do ano, a moeda chegou a R$ 1,70. Desde então, já subiu quase 20%.

Nas últimas semanas, toda vez em que o dólar se aproximou do mínimo fixado pelo governo, o Banco Central (BC) anunciou leilões de contratos de câmbio, em uma operação que equivale à compra de dólares. Em cerca de dez dias, foram negociados quase US$ 6 bilhões. No final de agosto, quando a moeda se aproximava de R$ 2,05, o BC fez o contrário: utilizou uma operação que corresponde à venda de moeda estrangeira para segurar a alta.

A mudança no sistema cambial, que desde 1999 era flutuante, acompanha aquilo que o governo chama de "nova matriz macroeconômica", que inclui juros mais baixos e redução de tributos para alguns setores. No início do ano, a presidente Dilma Rousseff citou esses fatores como as "amarras" do País.

Isso representa uma mudança em relação à "velha matriz", adotada no governo FHC e reafirmada pelo ex-presidente Lula, formada por câmbio flutuante, superávit das contas públicas e meta para a inflação. Durante mais de dez anos, o BC interveio várias vezes no câmbio, mas sem fixar uma banda tão estreita.

Para controlar a cotação, o governo conta também com ameaças de novas restrições ao capital estrangeiro e com a queda na entrada de recursos externos no País. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ao Estado na semana passada que não vai deixar o real se valorizar e que a moeda vai flutuar para o lado que o governo deseja. Disse que pode mexer novamente em impostos para frear a entrada de dinheiro, que caiu desde maio.

O BC diz que continua sem uma meta para o câmbio. Mas o diretor de Política Monetária da instituição, Aldo Mendes, disse em julho que o dólar abaixo desse nível de R$ 2 pode não ser bom para a indústria.

Há cerca de dez dias, depois que o banco central dos EUA (Federal Reserve) anunciou a injeção de mais dinheiro para estimular a recuperação da economia do país, o dólar voltou a cair e o BC retomou as intervenções para segurar a cotação. No começo do ano, chegou a comprar dólares no mercado. Agora, faz leilões de contratos de câmbio no mercado futuro, que representa 90% dos negócios com dólar.

Até agora, no entanto, o "tsunami cambial" temido pelo governo não chegou ao Brasil. Segundo o BC, a entrada de dólares supera a saída em US$ 23,5 bilhões neste ano, um terço do valor registrado no mesmo período de 2011. A maior parte do dinheiro (73%) veio do comércio exterior. Apenas US$ 6,2 bilhões são recursos de operações financeiras, como investimentos estrangeiros em ações e títulos, empréstimos, remessas de lucros e investimentos produtivos.

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