André Dusek
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Governo fixa meta de inflação em 3% para 2025 mesmo com estouro por 3 anos seguidos no radar

Para este ano, o alvo central do Conselho Monetário Nacional (CMN) para a inflação é de 3,50% e, para o próximo, de 3,25%

Thaís Barcellos e Antonio Temóteo, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2022 | 19h04

BRASÍLIA - Mesmo com o estouro da meta de inflação por três anos consecutivos no radar, o Conselho Monetário Nacional (CMN) manteve a estratégia de redução do alvo a ser perseguido pelo Banco Central, em decisão nesta quinta-feira, 23. O CMN estabeleceu a meta de inflação de 2025 em 3,00%, a mesma já adotada para 2024. Para este ano, o alvo central é de 3,50% e, no próximo, de 3,25%, sem modificações.

O CMN é formado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o secretário especial de Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia, Esteves Colnago.

A meta de inflação é o norte do Banco Central em suas decisões sobre o rumo dos juros no País. Há ainda uma margem tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos em todos os anos em relação aos resultados do IPCA – índice oficial de inflação. No caso de 2024 e 2025, o limite inferior é de 1,5% e o superior, de 4,5%. Já para o ano que vem, o piso é de 1,75% e o teto, de 4,75%.

Após o BC descumprir seu mandato principal em 2021, as estimativas do mercado financeiro indicam grandes chances do rompimento da meta se repetir neste e no próximo ano, em um cenário de inflação alta, persistente e disseminada por diversos produtos e serviços.

Conforme as projeções do Boletim Focus informadas no comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) de junho, as medianas estão em torno de 8,5% para 2022 (muito acima do teto de 5,0%) e de 4,7% para 2023. O BC, por sua vez, projeta 8,8% e 4,0%, respectivamente.

Com esse contexto inflacionário difícil, os questionamentos sobre a capacidade de o Brasil alcançar uma meta de inflação mais baixa, alinhada a pares internacionais, têm aumentado. Mas, como mostrou o Estadão/Broadcast esta semana, a maioria dos economistas do mercado financeiro esperava a manutenção do processo iniciado em 2017.

A avaliação é de que mudar as regras no meio do “furacão” tende a gerar mais prejuízos à credibilidade do BC e, consequentemente, ao objetivo de controle da inflação.

Hoje, questionado sobre discussões acerca de modificar as metas, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que isso não aumenta a credibilidade do Banco Central.  “Modificar meta muito longa que está perto de ser cumprida não ganha credibilidade”, afirmou. "Entendo o debate, mas é decisão do CMN. Vamos seguir estratégia com meta que é dada”.

Na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) deste mês, o BC indicou buscar um resultado para a inflação do ano que vem mais próxima do centro da meta (3,25%) e abaixo de sua projeção atual (4,00%). Hoje, em coletiva, Campos Neto afirmou que o colegiado entende que a estratégia de manter a Selic mais alta por mais tempo é suficiente para essa convergência.

Para a próxima reunião, em agosto, o BC já indicou novo aumento de juros, atualmente em 13,25%, igual (0,50pp) ou menor do que o de junho. A autoridade monetária também sinalizou que a estratégia envolve Selic no fim de 2023 acima da premissa do cenário de referência (10%).

Histórico

Em 2017, durante o governo Michel Temer e após a criação do teto de gastos, o CMN passou a definir a meta de inflação para três anos à frente e iniciou um processo de redução gradual, de 0,25pp ao ano, com destino ao objetivo de 3,00%. Na época, o alvo de 4,5% estava em vigor desde 2005 e foi mantida para 2017 e 2018. O sistema de metas foi criado em 1999.

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