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Governo fixa TJLP em 6,25% e encerra processo de queda

Taxa de juros, usada nos financiamentos concedidos pelo BNDES, será mantida até o final do ano

Adriana Fernandes Renata Verssimo, O Estadao de S.Paulo

28 de setembro de 2007 | 00h00

O governo interrompeu ontem o processo de queda da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que é cobrada nos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu manter a taxa em 6,25% ao ano. O valor valerá para os últimos três meses de 2007. A TJLP caiu apenas uma vez em 2007: no terceiro trimestre, quando o valor recuou de 6,50% para 6,25% ao ano.Para o economista-chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castello Branco, a decisão é um sinal de que se estreitou o espaço de ação da política monetária no controle da demanda agregada da economia.Segundo Castelo Branco, apesar de as decisões do CMN serem independentes das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) que define a taxa básica de juros, a Selic, o movimento está inter-relacionado. ''''É um sinal um tanto preocupante de que se aproximam os limites para o BC reduzir os juros sem a ajuda da política fiscal'''', afirmou, lembrando que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, é um dos integrantes do CMN.SELICPara o economista, é preciso que a política fiscal entre em coordenação com a política monetária. ''''Os gastos do governo estão excessivos'''', alertou. Apesar disso, Castelo Branco acha que ainda há espaço para a queda da taxa Selic, que está em 11,25%, valor bem acima da TJLP.A CNI esperava uma nova queda da TJLP. Castelo Branco ressaltou que a taxa não representa o custo final do tomador do empréstimo do BNDES e dos demais agentes financeiros. ''''Tem o spread (custo entre a captação do dinheiro pelos bancos e o cobrado do tomador final) da operação'''', disse. O Brasil ainda está longe de uma convergência para os patamares de juros internacionais que têm as empresas estrangeiras que competem com as brasileiras.Para o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e ex-diretor do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas, a manutenção da TJLP está ligada ao ambiente internacional. ''''O ambiente externo melhorou, mas não é permanente'''', disse. Para ele, o CMN agiu com prudência e de forma acertada.Ao contrário dos momentos de anúncio de queda da taxa, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não deu entrevista ontem para explicar a interrupção. O secretário-adjunto de Política Econômica, Gilson Bittencourt, limitou-se a afirmar que os parâmetros utilizados pelo CMN para definir o valor da taxa permaneceram, na média, inalterados em relação à última decisão há três meses. Para calcular o valor da TJLP, que é fixado trimestralmente, o CMN considera o prêmio de risco do País e a meta de inflação de 12 meses à frente.Desde o início do primeiro mandato do governo Lula, a taxa já caiu 4,75 pontos porcentuais, de 11% para 6,25% ao ano. Mas em 2003, por dois trimestres consecutivos, a TJLP ficou em um patamar mais elevado, de 12%.NÚMEROS4,75 pontospercentuais foi a queda na TJLP desde o início do primeiro mandato do governo Lula12% foio patamar mais alto da taxa, registrado em dois trimestres de 200311,25% éo atual valor da Selic, a taxa básica de juros da economia

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