Governo gasta R$ 15,84 bilhões só para pagar juros da dívida

Além disso, o endividamento aumentou em mais R$ 43,31 bilhões com a emissão de novos títulos públicos

Adriana Fernandes e Renata Veríssimo, da Agência Estado,

21 de julho de 2011 | 14h56

Em junho, o governo gastou  R$ 15,84 bilhões só para pagar os juros da dívida do país. Além disso, o endividamento aumentou em mais R$ 43,31 bilhões com a emissão de novos títulos públicos. Com isso, a Dívida Pública Federal (DPF) (interna e externa) cresceu  R$ 59,14 bilhões - um aumento de 3,39%, subindo para R$ 1,805 trilhão.

O aumento da dívida em junho foi puxado, principalmente, pelo empréstimo de R$ 30 bilhões do Tesouro ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Esse empréstimo foi pago com títulos públicos, o que provocou um aumento da emissão de papéis.

De acordo com dados divulgados nesta quinta-feira, 21, pelo Tesouro Nacional, considerando apenas a dívida interna houve aumento de 3,86%, o equivalente a R$ 64,249 bilhões, atingindo R$ 1,729 trilhão de reais. Já a dívida externa apresentou uma queda de 6,29%, correspondente a R$ 5,103 bilhões, fechando o mês de junho em R$ 75,97 bilhões.

Endividamento. O perfil da dívida, no entanto, melhorou. A parcela de papéis atrelados a juros prefixados - que deixam a dívida mais previsível - subiu de 36,38% em maio para 38,13% em junho. Além disso, a parcela atrelada à taxa de juro Selic - parcela vulnerável às oscilações das taxas - caiu de 32,50% para 30,91%. A participação de títulos atrelados à taxa de câmbio - também considerada imprevisível - caiu de 4,45% para 4,01%. O ponto distoante é a parcela da dívida atrelada à inflação, que passou de 26,67% para 26,96%.

Já a parcela da dívida a vencer em 12 meses (curto prazo) caiu de 21,20% em maio para 21,03% em junho. Esse é o indicador de dívida de curto prazo bastante observado pelas agências de classificação de risco. Quanto menor a dívida de curto prazo, melhor para o perfil do endividamento.

O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, informou há pouco que o Tesouro recomprou este ano US$ 2,1 bilhões em títulos da Dívida Pública externa. Segundo ele, o Tesouro tem sido bastante ativo na recompra desses papéis, o que tem ajudado a reduzir a Dívida Federal externa. Ele lembrou que o Tesouro reabriu as emissões de Global 2021 para aumentar a liquidez para o financiamento da dívida de longo prazo. Na operação, o Brasil chegou a pagar a menor taxa da sua história.

Para Garrido, as janelas de oportunidades para novas emissões de bônus da dívida externa do Brasil no mercado internacional devem continuar mesmo com a instabilidade lá fora.

Segundo ele, se, por um lado, a volatilidade do mercado internacional é, geralmente, negativa para emissões, por outro, os fundamentos da economia brasileira são muito bons, atraindo os investidores. Garrido destacou que a volatilidade obriga o emissor a ser bastante cuidadoso e atento para a melhor janela de oportunidade para novas emissões. Para ele, foi isso o que aconteceu na emissão do Global 2021, feita este mês pelo Tesouro Nacional no mercado internacional. Novas emissões, disse ele, vão depender da estratégia do Tesouro.

Ele lembrou que agosto é um mês tradicionalmente fraco para emissões por conta das férias no Hemisfério Norte.

 

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