Governo gastará R$ 7,7 bi com seguro desemprego em 2004

O custo do desemprego para o governo federal já supera o que seria imposto por um aumento maior do salário mínimo, como os R$ 275 aprovados pelo Senado. De acordo com projeções da área econômica, o gasto do Ministério do Trabalho e Emprego com o pagamento do seguro desemprego para 5,2 milhões de brasileiros chegará a R$ 7,7 bilhões até o final do ano, quase 50% superior ao valor liberado em 1994, enquanto o reajuste do mínimo custa R$ 2,1 bilhão para cada R$ 15. Somente nos três primeiros meses de 2004, 1.296.991 pessoas requisitaram o seguro, que pode se estender por até cinco meses, dependendo do tempo de serviço no último emprego anterior à demissão. Criado em 1986, o benefício atende majoritariamente (86,11%) trabalhadores que ganham até três salários mínimos. ?O desemprego também tem um custo fiscal, porque mais pessoas acessam o seguro desemprego e mais trabalhadores se aposentam precocemente, com perdas para o INSS?, afirma o ex-ministro da Previdência e atual ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini. Segundo ele, o aumento do salário mínimo pressiona para cima as despesas do governo, como benefícios previdenciários e assistenciais, mas também tem um papel indutor do mercado de consumo, especialmente o de baixa renda, o que favorece o aquecimento da economia e compensa parcialmente o maior gasto público. ?O ideal é alcançar um equilíbrio entre as duas variáveis: dinamizar a economia e conter a pressão fiscal, que é imediata?, explica Berzoini.

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