Orestis Panagiotou|EFE
Orestis Panagiotou|EFE

Governo grego chega a acordo com credores

Negociação ainda é condicional, mas prevê que as necessidades de financiamento bruto de Atenas não excederão 15% do PIB

Andrei Netto, correspondente, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2016 | 22h19

PARIS - O governo da Grécia e seus credores internacionais – União Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) – firmaram nesta quarta-feira, 25, em Bruxelas, as bases para um acordo de redução do peso da dívida do país, que chega a 183% do Produto Interno Bruto (PIB). A negociação ainda não foi anunciada em seus detalhes, mas estabelece que a partir de 2018 as necessidades de financiamento bruto de Atenas não excederão 15% em médio prazo. Para tanto, uma moratória e um reescalonamento devem ser acordados, mas sem um corte nominal do valor devido.

O entendimento foi o mais importante passo para o alívio da pressão financeira sobre a Grécia desde agosto de 2015, quando um terceiro plano de socorro no valor de € 86 bilhões foi anunciado para evitar a bancarrota do país e sua saída da zona do euro. Ontem, ministros de Finanças dos 19 países que adotam a moeda única atravessaram a madrugada para chegar a um entendimento sobre os próximos passos de Atenas.

O acordo foi possível depois que o governo radical de esquerda do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, foi obrigado a enviar ao Parlamento um novo pacote de medidas de austeridade com mais reformas da previdência, aceleração da privatizações, aumento dos impostos indiretos e criação de um gatilho para corte de despesas públicas em caso de não cumprimento de metas fiscais. As medidas sofreram mais uma vez a oposição das ruas, com protestos na Praça Syntagma, no centro de Atenas, que não impediram a aprovação pelos deputados.

Parcelas. UE, BCE e FMI apresentaram a “recompensa” pelas medidas de austeridade. Uma nova parcela de socorro financeiro, no valor de € 10,3 bilhões, será transferida para o governo grego – divididas em dois depósitos de € 7,5 bilhões e € 2,8 bilhões. O tópico mais importante, entretanto, diz respeito aos princípios da renegociação da dívida, uma condição exigida por Tsipras em troca do aperto das contas. Com o veto do governo da Alemanha, não foi possível anunciar um corte do valor bruto, mas o reescalonamento e mesmo uma moratória devem fazer parte do pacote de medidas. O princípio essencial é de que em médio prazo as necessidades de financiamento bruto da Grécia devem ser mantidas abaixo de 15%. Em longo prazo, esse porcentual poderá subir para 20%. As primeiras medidas de redução do peso da dívida entrarão em vigor em 2018 – quando o reembolso deveria ter início.

O acerto foi comemorado pelo governo grego. “Temos razões para estarmos otimistas e para pensar que pode se tratar de um novo começo, que transformará o círculo vicioso grego de medidas de recessão-recessão em uma situação na qual os investidores verão o caminho livre para investir na Grécia”, afirmou o ministro de Finanças, Euclide Tsakalotos.

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