Governo grego consegue mais apoio para reformas controversas

Uma esmagadora maioria de legisladores socialistas gregos concordou em votar em favor das controversas reformas de austeridade, afirmaram à Reuters dirigentes da legenda nesta terça-feira, aumentando bruscamente as chances de se assegurar uma aprovação parlamentar às medidas.

Reuters

30 Outubro 2012 | 21h42

A quase falida Grécia precisa avançar em cortes de gastos e medidas fiscais no valor de 13,5 bilhões de euros, bem como em uma série de reformas para acalmar os credores da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) e garantir o resgate financeiro necessário para evitar ficar sem dinheiro no próximo mês.

Depois de meses de negociação sobre o plano de austeridade, o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, anunciou nesta terça-feira que Atenas concluiu suas conversas e clamou por apoio entre seus aliados políticos.

O partido do premiê, o Nova Democracia, e o socialista Pasok somam 160 deputados no total, nove a mais que o necessário para uma maioria absoluta no Parlamento.

Mas o terceiro partido na coalizão governista, o Esquerda Democrática, se recusa a apoiar novas reformas trabalhistas, o que poderia instigar outros parlamentares a desertar e deixar o governo diante de uma votação imprevisível no Parlamento na próxima semana.

No entanto, as chances de uma aprovação aumentaram depois que os legisladores do Pasok decidiram apoiar as reformas.

"A esmagadora maioria dos legisladores do Pasok é favorável ao pacote", disse um dos dirigentes do partido, acrescentando que apenas dois dos 23 parlamentares da legenda votariam contra o pacote, enquanto outros dois não haviam decidido ainda.

Uma enxurrada de declarações contraditórias dos três partidos que integram a coalizão governante na Grécia evidenciou o caos antes de uma votação crucial sobre medidas de austeridade, maior teste do governo desde que assumiu o poder em junho.

"O que aconteceria se o acordo não aprovasse e o país fosse levado ao caos?", indagou Samaras em comunicado. "Tais ameaças precisam ser evitadas. Essa é a responsabilidade de cada partido e cada parlamentar individualmente", completou.

O Esquerda Democrática respondeu imediatamente ao reiterar que votaria contra as reformas trabalhistas.

"A Esquerda Democrática tem lutado sobre a questão das relações de trabalho, para proteger os direitos dos trabalhadores, algo que já foi enfraquecido", afirmou o partido em comunicado.

"(O partido) não concorda com o resultado das negociações. O Esquerda Democrática se detém em sua posição", acrescentou.

O Pasok, que tem visto seu apoio evaporar frente às contínuas medidas de austeridade, interrompeu uma reunião do partido para divulgar um comunicado criticando Samaras por afirmar que as tratativas com os credores haviam sido concluídas.

"Uma nota de imprensa que diz que 'o governo fez o que podia, que está seguindo adiante e que quem quiser deve segui-lo...' é, no melhor dos casos, infeliz", afirmou o líder do partido no comunicado.

O governo deve incluir uma grande parte das medidas de austeridade no orçamento de 2013 a ser apresentado na quarta-feira, com as contestadas reformas trabalhistas em um projeto separado a ser levado ao Parlamento na segunda-feira da semana que vem.

(Reportagem de Renee Maltezou e Karolina Tagaris)

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