Valter Campanato/Agência Brasil
Valter Campanato/Agência Brasil

Governo indica José Mauro Ferreira Coelho para a presidência da Petrobras

Coelho é ex-secretário de Petróleo do Ministério de Minas e Energia; governo também indicou Marcio Weber para a presidência do conselho

Eduardo Gayer, Adriana Fernandes e Denise Luna, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2022 | 19h35

BRASÍLIA E RIO - O governo federal indicou José Mauro Ferreira Coelho para a presidência da Petrobras. Marcio Andrade Weber foi indicado para presidir o conselho de administração da petroleira. Os nomes foram confirmados pelo Ministério de Minas e Energia na noite desta quarta-feira, 6.

As indicações ocorrem depois das desistências do economista Adriano Pires e do engenheiro Rodolfo Landim, que declinaram dos convites por conflitos de interesses. Como mostrou o Estadão, o presidente Jair Bolsonaro ficou irritado com a movimentação para atrasar em mais tempo a realização da assembleia e a permanência do general Joaquim Silva e Luna.

A transferência do próprio ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, para a presidência da petroleira chegou a ser cogitada nas negociações, mas houve resistências do próprio. É uma mudança em relação à época da escolha de Silva e Luna, há um ano, quando Bento Albuquerque quis, sem sucesso, a presidência da Petrobras. 

Depois do fracasso das indicações Pires e Landim, o ministro fez um movimento para emplacar um homem de sua confiança. José Mauro Coelho é considerado seu “braço direito”. A preferência do setor e na própria empresa era por uma solução interna com Marcio Weber, que ficou com a indicação para a presidência do conselho de administração. Como mostrou o Estadão, Weber era um dos nomes mais fortes ao longo do dia para ficar com o comando da Petrobras.

O nome de Sonia Villalobos - atual conselheira e uma indicação do Ministério da Economia – sofreu resistências de Bento Albuquerque. Cotado para a presidência, Caio Andrade, secretário de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, teve o nome descartado na terça-feira, 5, depois da rejeição do Centrão ao seu nome.

Coelho é presidente do conselho de administração da Pré-Sal Petróleo (PPSA), estatal responsável por negociar a parte da União na exploração do pré-sal e já foi ex-secretário de Petróleo e Gás do MME de abril de 2020 a outubro de 2021. Antes, atuou por 12 anos na Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estatal responsável pelo planejamento do setor elétrico, sendo seu último posto o de diretor de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis na EPE.

A escolha do novo presidente da Petrobras -- o terceiro do governo Jair Bolsonaro -- não animou setores da indústria que veem nele o risco de ser tornar uma espécie de CEO do próprio ministério e, em ultima instância, de Bolsonaro, que já demostrou por diversas vezes o desejo de mudar a  politica de preços da petroleira, atrelada ao mercado internacional, tema que levou a queda de Silva e Luna. O primeiro demitido do comando da Petrobras foi Roberto Castello Branco, saiu em abril de 2021, pelo mesmo motivo: o aumento do preço dos combustíveis.

Márcio Weber é atual conselheiro da empresa. Foi membro da Diretoria de Serviços da Petrobras Internacional (Braspetro) e Diretor da Petroserv S.A. 

Para terem efeito, as duas indicações precisam ser confirmadas pela assembleia geral ordinária da Petrobras. A próxima reunião do colegiado deve acontecer daqui a uma semana, em 13 de abril.  Os demais nomes indicados para serem votados na próxima Assembleia Geral Ordinária (AGO) no dia 13 de abril permanecem os mesmos da primeira lista, com a inclusão dos novos indicados: Marcio Andrade Weber; Jose Mauro Ferreira Coelho; Sonia Julia Sulzbeck Villalobos; Ruy Flaks Schneider; Luiz Henrique Caroli; Murilo Marroquim de Souza; Carlos Eduardo Lessa Brandão e Eduardo Karrer.

“Acreditamos que os nomes serão positivamente recepcionados pelo mercado, que não deve ver nas indicações alguma sinalização de ruptura com os principais fundamentos mantidos atualmente pela empresa”, avaliou a corretora Ativa Investimentos feita. Para fontes do mercado, no entanto, a escolha foi uma demonstração de desespero do governo em fazer a troca rápida. Em alguns gabinetes de Brasília, a avaliação foi de que Coelho "tem um pé muito menor do que o sapato da Petrobras".

Coelho saiu do Ministério de Minas e Energia em outubro de 2021 alegando questões pessoais. Na época, se  iniciava a escalada do preço do petróleo no mercado internacional e o País vivia momentos de tensão, pela revolta dos caminhoneiros por causa da alta do diesel.  Passados seis meses, porém, o executivo mantém apenas o cargo de conselheiro da Pré-Sal Petróleo (PPSA), e assume um dos cargos empresarias mais importantes do País justamente em um momento que o governo luta para conter a insatisfação popular com os altos preços dos combustíveis.

De fala tranquila e profundo conhecedor do setor, Coelho chegou a ser oficial de artilharia por oito anos, o que lhe garante uma boa relação com o Exército, mas depois engrenou na área tecnológica até entrar para a EPE, em 2007, na área de Abastecimento.  Apesar de não ter experiência como executivo de uma grande empresa, como requer o estatuto da Petrobras, o nome de Coelho não deverá enfrentar obstáculos para aprovação, já que detém vasta experiência no setor e dirigiu por anos a EPE.    

O indicado para a presidência do Conselho, Marcio Weber, já faz parte do colegiado da Petrobrás. No ano passado, sua indicação caiu em exigência para integrar o grupo. Weber era diretor da Petroserv, fornecedora da Petrobras, até oito meses antes da assembleia de acionistas, como apontou Irany Tereza, em coluna publicada no Broadcast. Pelo estatuto, o prazo deveria ser de três anos para ser aceito no Conselho e foi apontada a inconformidade do seu nome. Mas uma consulta à Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST) concluiu que ele poderia concorrer à vaga, desde que seu nome fosse aprovado na assembleia com esse destaque.  Com isso, Weber ocupa até hoje o posto no conselho da estatal.

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