Governo intima importadora de brinquedo com droga

Long Jump diz que encaminhou o Bindeez para novos testes no Inmetro

Isabel Sobral e Ana Paula Lacerda, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça, intimou ontem representantes da Long Jump, empresa que importa e comercializa os brinquedos Bindeez, para prestar esclarecimentos sobre a presença no revestimento dos produtos de uma substância semelhante ao ácido gama-hidroxibutírico (GHB) em alguns lotes. A substância é conhecida por ser utilizada como sedativo no golpe "Boa Noite, Cinderela". Anteontem, o Procon também fez essa solicitação.O DPDC marcou para segunda-feira reunião com representantes da empresa para que informem "quais procedimentos deverão ser adotados em relação aos fatos e, principalmente, sobre a segurança das crianças". Na quinta-feira, o Inmetro determinou a apreensão preventiva dos brinquedos vendidos no Brasil, apesar de a empresa afirmar ainda não estar determinado se as unidades que vieram para o País têm problemas. O recolhimento será feito pelo Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) de cada Estado.Há cerca de 300 fiscais em todo o Brasil envolvidos com a operação. Caso haja brinquedos nas prateleiras, ele será retirado e deverá ser mantido em depósito até o fim dos testes toxicológicos. "As lojas não serão punidas se estiverem vendendo o brinquedo. No entanto, se após a visita dos fiscais algum lojista voltar a vender o Bindeez, responderá criminalmente pelo ato", explicou o diretor do Inmetro, Paulo Coscarelli. Caso algum consumidor encontre o Bindeez no comércio, pode informar ao Inmetro pelo telefone 0800-2851818.Coscarelli disse também que, a partir de março, o Inmetro passará a exigir testes toxicológicos dos brinquedos. Atualmente, há apenas testes para metais pesados. "Ninguém no mundo imaginou que fossem colocar algo como o GHB em brinquedos", disse.Segundo ele, nenhum país realiza esse tipo de teste em brinquedos. "Provavelmente, isso encarecerá um pouco os brinquedos. Mas é o preço a pagar por essa realidade em que as empresas transferem sua produção para regiões mais baratas sem o devido controle de qualidade."O Bindeez, da empresa australiana Moose, é fabricado na China. No início da semana, a empresa iniciou um recall de um milhão de unidades do produto na Austrália e, depois, o mesmo processo foi iniciado nos Estados Unidos. Quatro crianças australianas e duas americanas foram hospitalizadas após comerem as bolinhas que compõem o Bindeez. Originalmente, o brinquedo é formado por esferas que, quando molhadas, aderem umas às outras formando desenhos. Nos produtos com problema, a substância aderente foi substituída pelo GHB. Dentre os problemas possíveis, dependendo da concentração de GHB, estão tonturas, desmaios, coma e até a morte. O porta-voz da Moose, Peter Mahon, informou que o lote problemático foi feito em uma fábrica chinesa da província de ShengZen, e a fórmula foi alterada sem a autorização da Moose.A Long Jump afirmou ontem em nota que os lotes que vieram ao País não são os mesmos que foram para os EUA e Austrália e, até o momento, não houve nenhum registro de problema no País. A empresa encaminhou amostras para novos testes toxicológicos no Inmetro e está retirando os produtos das lojas. Não há previsão de que o brinquedo volte ao comércio antes do Natal.Redes de lojas de brinquedos, como Ri Happy e PBKids, informaram que ontem começaram um recolhimento voluntário do Bindeez. Uma gerente de loja do interior paulista, que preferiu não se identificar, informou que, apenas ontem, três adultos foram à loja para tentar comprar o Bindeez, mas ele já havia sido recolhido.

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