Governo investiga diferença de US$ 600 milhões nas exportações de soja

Os ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e da Fazenda estão investigando as causas da diferença de US$ 600 milhões entre as exportações de soja registradas na balança comercial e os valores que o setor privado informa haver embarcado para o exterior. Se as suspeitas de analistas e de técnicos do próprio governo se confirmarem, os dados do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) estão errados para menos, o que significa que o saldo da balança comercial é maior do que mostram as estatísticas. Os técnicos da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e da Receita Federal querem encontrar uma explicação para a discrepância de dados até a próxima quinta-feira, quando representantes do governo e do setor privado se reunirão no Ministério da Agricultura para discutir o problema. O desencontro de dados não é inédito, mas é a primeira vez que a diferença é tão grande. Os números da balança mostram queda nas exportações de soja em grão, farelo e óleo. No entanto, a produção e o preço cresceram neste ano, o que indicaria aumento nas vendas ao exterior. Essa incoerência chamou a atenção de analistas e técnicos do setor, principalmente porque o complexo soja responde por 10% da pauta de exportação brasileira.A hipótese mais provável que circulava hoje no MDIC é que, por alguma razão, a soja foi embarcada para o exterior, mas não houve registro dessa exportação na base de dados do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). O funcionamento do sistema não deveria permitir esse tipo de falha. Por isso, os técnicos estão investigando como e por que ela teria ocorrido.Os dados da balança mostram que, no período de janeiro a julho, a quantidade de soja em grão exportada pelo Brasil foi 26,10% menor do que no ano passado, enquanto as vendas de farelo caíram 13,35% e as de óleo, 13,94%. A queda generalizada teria causado uma queda de 20% na receita em dólares gerada pela venda desses produtos, o que não condiz com as estimativas do setor, que estima um ganho de receita de US$ 360 milhões a US$ 450 milhões neste ano.Enquanto o mercado estima haver exportado 12,3 milhões de toneladas de soja em grão, os dados da balança mostram embarques de 9,3 milhões de toneladas. Com relação ao farelo, o setor estima vendas de 7,2 milhões de toneladas contra 5,8 milhões de toneladas registradas nas bases de dados do governo. O mesmo ocorre com relação ao óleo: 1,2 milhões de toneladas, contra 770 milhões de toneladas.O que intriga técnicos e analistas não é só a diferença, mas o fato de a balança mostrar queda nas exportações, quando todas as evidências de mercado indicariam o oposto. A produção de soja cresceu de 38,4 milhões de toneladas para 42 milhões de toneladas. O preço da commoditie, que vinha em queda nos últimos anos, está em recuperação. Desde o início do ano, o preço da soja em grão subiu 32,85%. O setor estima aumento nos embarques. Portanto, acreditam eles, só poderia haver aumento, e não queda nas exportações.

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