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Governo investigará se Petrobras foi ameaçada em acordo

O Itamaraty recebeu ontem com preocupação a declaração do presidente Evo Morales, da Bolívia, de que ordenaria a ocupação militar das instalações da Petrobras no país, caso seu acordo com a estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales de Bolívia (YPFB) não tivesse sido concluído até o final do último sábado. A invasão, portanto, estaria programada para o último domingo - a data do segundo turno das eleições no Brasil, que culminou com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Itamaraty acionou nesta terça-feira sua embaixada em La Paz para confirmar declarações do líder boliviano e verificar se constituíram ameaças durante as negociações da semana passada. Questionado no final da tarde sobre o assunto, os ministros de Minas e Energia, Silas Rondeau, e das relações Exteriores, Celso Amorim, preferiram não comentá-lo.Com menos preocupação e um pouco de deboche, o próprio Amorim decidiu rebater a segunda manifestação de Evo Morales sobre o processo de nacionalização dos setores de gás e de petróleo. Nesta manifestação, o presidente boliviano disse que o Brasil deveria "presentar" as duas refinarias de petróleo da Petrobras, em Santa Cruz de la Sierra, ao povo de seu país. Estas são as refinarias ocupadas pelas Forças Armadas bolivianas em 1º de maio passado, o dia da publicação do decreto de nacionalização, e que foram adquiridas pela Petrobras por "sugestão" de governos anteriores da Bolívia. "Se ele (Evo Morales) fosse o Lula, presentearia à Bolívia com as duas refinarias. Mas como não é...", afirmou o chanceler, por meio da assessoria de imprensa do Itamaraty.AmeaçaA divulgação dos termos do acordo entre a Petrobras e a estatal boliviana, no último domingo, já havia deixado a suspeita de que os negociadores bolivianos se valeram da ameaça de redução no volume de gás para o Brasil como meio de dissuadir seus pares brasileiros a recuar em alguns aspectos. Concluído no dia 19 de outubro, o acordo que prevê a triplicar o fornecimento do insumo para a Argentina - de 8 milhões para 25 milhões de metros cúbicos - dera à Bolívia a segurança de deslocamento, em médio prazo, de parte da produção antes destinada ao Brasil para o outro vizinho.Até as declarações de Morales, nesta segunda-feira, não havia indicações de outra possível ameaça implícita nas negociações entre a Petrobrás e a YPFB - a de uma invasão militar das plantas da companhia brasileira na Bolívia se o acordo não fosse concluído. Nem o Itamaraty nem o Ministério de Minas e Energia contaram com representantes na sala de negociações, em um prédio no centro de La Paz, entre os dias 23 e 28. Todas as conversas restringiram-se exclusivamente a diretores e técnicos da Petrobrás Bolívia e da YPFB, bem como a autoridades do governo Evo Morales.

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