Governo italiano adverte Fiat sobre excesso de demissões

O governo italiano advertiu a Fiat SpA sobre os planos de cortar mais empregos em sua montadora Fiat Auto, assinalando que a ajuda do Estado ao conglomerado pode ser uma coisa do passado. O governo está preocupado com o impacto da extensão dos cortes sobre a economia do país e sobre as já tensas relações com os sindicatos de trabalhadores. A advertência não se refere aos planos de demissão da Fiat como inteiramente desastrosos, mas quer amenizá-los. "Como pode o governo impedir que a Fiat corte a produção e faça demissões?", perguntou Massimo Nibbi, chefe de investimentos do banco italiano Meliorbanca SpA. "Eles teriam que tirar a empresa do negócio". Rumores sobre a Fiat no último ano aumentaram as possibilidades de que a companhia tenha que vender sua unidade automotiva - um marco da indústria italiana - para poder retornar ao lucro. Sob o acordo com a General Motors Corp dois anos atrás, a Fiat pode vender sua participação de 80% à montadora norte-americana. Em comunicado, a ministro da Indústria, Antonio Marzano, disse que a Fiat, empresa privada que mais emprega no país, deve "avaliar seriamente as consequências problemáticas dos cortes de postos de trabalho". Marzano fez a declaração depois de um encontro com a executivo-chefe da Fiat, Gabriele Galateri di Genola. Na primeira indicação oficial dos planos de restruturação da companhia, Marzano disse que a Fiat vai implementar um "forte" programa de cortes de custos e então relançar sua linha de produtos, para tentar retornar à lucratividade. Mas as observações do ministro são o sinal mais forte de que o governo italiano, que enfrenta um crescente déficit orçamentário, não tem os recursos para cobrir os custos das demissões da Fiat. Demissões temporárias seriam financiadas pela Fiat, mas os cortes permanentes e os planos de aposentadoria antecipada seriam bancados pelo Estado. O comunicado também sugere que o governo pode não ter o capital político para encarar mais atritos trabalhistas, em um ano em que assistiu à primeira greve geral em 20 anos. A Fiat pode dispensar até 8 mil funcionários em adição ao corte de 3000 postos temporários feitos em junho, de acordo com líderes sindicais. Esses números não incluem o reflexo sobre os fornecedores da montadora. "Eles podem cortar quantos empregos acharem necessário, mas permanece o fato de que a Fiat está atrás de seus concorrentes", disse Arndt Ellinghorst, analista do setor da WestLB Panmure.

Agencia Estado,

08 de outubro de 2002 | 15h26

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