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Governo já deveria ter adotado mais medidas, diz analista

O governo está atrasado e já deveria ter adotado novas medidas de restrição ao crédito, comentou o chefe de pesquisas para a América Latina do Nomura Securities em Nova York, Tony Volpon. Segundo ele, as ações implementadas após a reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, foram aquém do necessário para reduzir o ritmo da demanda agregada.

Ricardo Leopoldo, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2011 | 00h00

Volpon é favorável à postura do Poder Executivo de que a alta de juros deve ser moderada com medidas macroprudenciais, para diminuir os riscos à estabilidade financeira e eventual alta de inadimplência das famílias. "Contudo, o gradualismo em busca de resultados para o controle da inflação não significa que é preciso haver gradualismo nas ações", destacou.

Para Volpon, o movimento de alta da inflação não está sendo devidamente contido por mais medidas macroprudenciais pelo governo, necessárias para diminuir o descompasso entre demanda agregada e oferta. Ele destacou que o Poder Executivo recentemente "apenas" anunciou três ações para conter o crédito: a alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 1,5% para 3% ao ano nas compras por pessoas físicas; a cobrança de 6% de IOF sobre empréstimos captados no exterior por bancos e empresas com prazo inferior a um ano e a extensão da cobrança de IOF a essa mesma categoria de financiamentos para um período inferior a dois anos.

"Se o BC reduziu a velocidade de alta de juros de 0,50 para 0,25 ponto porcentual na semana passada, tal decisão deveria ter sido precedida por mais medidas macroprudenciais", destacou.

Na avaliação do economista, a ausência de mais ações oficiais de restrição ao crédito colaborou para que a inflação mantivesse uma trajetória de elevação vigorosa nos últimos meses. Ele destacou que o IPCA atingiu 6,3% em março no acumulado em 12 meses, taxa superior à previsão de 5,7% para o primeiro trimestre de 2011, divulgada pelo relatório de inflação do BC em dezembro de 2010. O IPCA-15 chegou a 6,44% em abril, num horizonte de um ano. Volpon espera que o IPCA supere em breve o teto da meta de 6,5% e chegue ao pico de 7,16% em agosto, na mesma base de comparação.

Para Volpon, o governo deveria adotar mais ações de restrição ao crédito de caráter quantitativo, como limitar o prazo de financiamento para determinados bens duráveis, além de aumentar o recolhimento de capital por instituições financeiras que emprestam recursos a consumidores. Segundo ele, tais medidas diminuiriam o capital disponível para financiamentos à disposição dos bancos, reduziriam o grau de alavancagem e automaticamente elevariam os juros do crédito. "Esse tipo de ação ajuda a conter o consumo, além de colaborar para fortalecer a estabilidade financeira."

Segundo o executivo da Nomura, esse conjunto de medidas deve melhorar a eficiência das ações macroprudenciais, que, para ele, têm um caráter fortemente voltado para elevar a arrecadação. De acordo com o economista da Tendências Consultoria, Felipe Salto, a elevação do IOF para operações de crédito para pessoas físicas de 1,5% para 3% ao ano deve agregar aos cofres federais entre R$ 7 bilhões e R$ 10 bilhões neste ano.

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