Governo já pagou R$ 140 bi de juros em 2010

A alta recente da inflação levou os gastos do governo com juros a baterem o recorde de R$ 139,7 bilhões de janeiro a setembro de 2010, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central. O aumento da despesa de juros ocorre porque cerca de um quarto da dívida pública é atrelado aos índices de preço. Assim, quando a inflação sobe, a despesa do Tesouro Nacional paga aos credores da dívida também avança.

Célia Froufe e Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2010 | 00h00

Ao contrário do que ocorre normalmente, o pagamento de juros não seguiu apenas a evolução da Selic. Sozinha, a taxa básica de juros até contribuiu para que essa despesa fosse menor, já que a Selic média caiu de 11,29% nos 12 meses encerrados até setembro de 2009 para 9,27% em igual período até o mês passado. Isso, porém, não foi suficiente para compensar o impacto da alta dos preços.

Entre os índices de preço, o IPCA subiu de 4,34% nos 12 meses até setembro de 2009 para 4,70% nos 12 meses seguintes. No caso do IGP-M, o índice saiu de uma deflação de 0,39% para alta de 7,77% na mesma base de comparação, uma "diferença razoável" nas palavras do chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. O IGP-DI seguiu o mesmo caminho, passando de deflação de 0,65% para inflação de 7,96% de um ano para o outro. Nos três casos, o aumento da inflação gerou mais despesas para o Tesouro Nacional.

Swap cambial. Além da inflação, o governo deixou de ganhar com os contratos de swap cambial - operação que equivale à venda de dólares no mercado futuro. Nessa operação, há o compromisso do BC de pagar a variação do dólar de determinado período ao mercado recebendo, em troca, uma taxa de juros pré-definida. No ano passado, essas operações contribuíram positivamente, já que geraram lucro ao BC de cerca de R$ 6 bilhões nos 12 meses anteriores a setembro de 2009. Agora, essas operações não são mais realizadas.

Ainda que o total de juros pagos de janeiro a setembro de 2010 tenha sido o maior desde o início do levantamento do Banco Central, em 2001, o porcentual em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) caiu ante o mesmo período ano passado, de 5,45% para 5,37%.

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