Governo já projeta déficit em conta corrente em 2008

Para técnicos do Ministério da Fazenda, porém, resultado negativo não comprometerá o crescimento do País

Fabio Graner, O Estadao de S.Paulo

07 de dezembro de 2007 | 00h00

Embora já esperem um pequeno déficit na conta de transações correntes do balanço de pagamentos, sobretudo por conta de uma redução mais forte no superávit da balança comercial, técnicos da equipe econômica não acreditam que a trajetória de deterioração das contas externas prejudicará o crescimento econômico em 2008. O governo prevê expansão de 5% da economia no ano que vem, ritmo que, no pior cenário, com uma redução drástica na taxa de crescimento das exportações, poderá ficar entre 4% e 4,5%. A hipótese básica, segundo uma fonte do Ministério da Fazenda, é que a expansão acelerada da demanda interna (consumo e investimentos) suprirá a maior contribuição negativa da área externa. "A maior dúvida é sobre o comportamento das exportações no ano que vem. Se houver uma desaceleração mais forte da economia mundial, o crescimento do Brasil ficará mais próximo de 4% a 4,5%", diz a fonte. A preocupação do governo é que o ritmo de deterioração das contas externas do País prossiga em 2009 e nos anos seguintes. Aí sim o crescimento do Brasil poderá ficar comprometido, já que a demanda doméstica não deve acelerar muito mais seu ritmo de expansão. Nessa situação, explica a fonte, o governo terá de fazer algo para conter o movimento.Mas nem o ministério nem os analistas de mercado têm previsões confiáveis para os anos posteriores a 2008, que ainda estão relativamente distantes. Mesmo as projeções para o ano que vem estão carregadas de incerteza, por conta do nebuloso cenário de crescimento da economia mundial, assombrado pela crise das hipotecas subprime nos Estados Unidos. Desde 2006, a demanda externa tem tido contribuição negativa para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Mas, com a aceleração das importações de bens e serviços, que sobem em ritmo bem mais rápido que as exportações, esse impacto no PIB deve ser maior. No cenário básico usado pelo Ministério da Fazenda, tal efeito seria compensado com maior crescimento do consumo e dos investimentos internos, que estão em aceleração. Esses itens compõem a equação básica de cálculo do PIB. De acordo com os dados mais recentes do Banco Central, a conta corrente do balanço de pagamentos apresentou em outubro déficit de US$ 42 milhões e, para novembro, a expectativa do BC é de um saldo negativo da ordem de US$ 700 milhões. O ritmo de deterioração dessa conta surpreende os analistas, que têm feito constantes revisões em suas projeções para este e para o próximo ano. Em junho, a previsão do mercado para a conta corrente era de superávit de US$ 10 bilhões neste ano e de US$ 5 bilhões em 2008. Na semana passada, as estimativas eram de superávits de US$ 8,2 bilhões e US$ 2 bilhões, respectivamente. Apesar da previsão média dos analistas contar com superávit para 2008, não são poucos os que, como a Fazenda, já trabalham com um déficit em conta corrente, sobretudo por causa da redução do saldo comercial.É o caso do economista da LCA Consultores Carlos Urso, que prevê superávit de US$ 30 bilhões na balança comercial e déficit de US$ 4,5 bilhões na conta corrente em 2008. Ele avalia que essa piora nas contas externas não deve afetar significativamente o crescimento de 2008. "Não deve haver implicações em termos de crescimento no curto prazo", afirma, prevendo um PIB 4,4% maior no ano que vem. Ele explica que boa parte do crescimento das importações é de bens de capital, que são investimentos e repercutem positivamente no crescimento da economia.

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