Wilton Júnior/Estadão
Sede da Eletrobras; governo vê possibilidade de a venda da estatal ser concretizada até agosto  Wilton Júnior/Estadão

Com revés no TCU, governo vê ‘janela’ de venda da Eletrobras até agosto

Comando da Eletrobras avalia que agosto seria nova ‘data limite’ para oferta de ações no mercado

Marlla Sabino e Guilherme Pimenta, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2022 | 05h00

BRASÍLIA - Apesar de o Tribunal de Contas da União (TCU) ter inviabilizado os planos iniciais do governo de realizar a privatização da Eletrobras já no próximo mês, o comando da empresa avalia que ainda seria possível realizar a operação neste ano, mas em uma nova “janela” de datas até agosto.

Até então, o governo trabalhava com o cronograma de realizar a desestatização até 13 de maio, mas a discussão no órgão fiscalizador só deve ser retomada no dia 11, devido a pedido de vista apresentado pelo ministro Vital do Rêgo.

 

A mesma avaliação tem um analista de um grande banco estrangeiro, que falou na condição de anonimato. Embora ele admita que uma operação em maio, como queria o governo, seria melhor, tendo em vista o fluxo de recursos que tem buscado se posicionar no setor de energia, uma venda em julho ou agosto não seria inviável. Ele ainda aposta em “demanda forte” pelas ações da estatal.

Com a decisão do TCU, o governo não poderá mais usar o balanço do quarto trimestre de 2021 na modelagem da operação e terá de basear a operação nos dados do primeiro trimestre deste ano – previsto para ser divulgado em 16 de maio.

‘Novidades’

No governo, técnicos criticaram a decisão do TCU e dizem, nos bastidores, temer que o órgão apareça com o que chamaram de “novidades” quando o processo voltar à pauta, inviabilizando o processo. O temor é principalmente no caso de o Tribunal determinar revisões de pontos que façam o processo ser reiniciado. Do contrário, há a esperança de concluir o processo em junho.

Conforme mostrou o Estadão/Broadcast, a avaliação tanto no governo como em parte do mercado é de que deixar a privatização para agosto poderia trazer uma série de obstáculos, já que a proximidade das eleições traz mais restrições para fundos interessados em investir no País, além de coincidir com o período de férias de países do hemisfério Norte. / COLABOROU LUCIANO COLLET

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Numa visão realista, privatização da Eletrobras não deve sair em 2022; leia análise

Aceitar esse entendimento é difícil para o governo, porque significa dupla derrota: o Tesouro não terá o reforço de caixa esperado e a campanha à reeleição de Bolsonaro seguirá sem uma grande privatização para chamar de sua

Irany Tereza*, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2022 | 05h00

Apesar de o governo ainda não admitir, estão perto de zero as chances de a privatização da Eletrobras ocorrer dentro do prazo permitido para que os dados financeiros da empresa no quarto trimestre de 2021 sirvam de base para os cálculos da operação de capitalização. Este novo empurrão no calendário elimina a possibilidade de conclusão do processo até 13 de maio.

Depois desse prazo, o mercado ficará mais restrito. A insistência em manter a capitalização para agosto – de acordo com fontes, a segunda alternativa posta à mesa – torna a chance de levantar R$ 30 bilhões, como prevê o governo, praticamente nula. Ou seja, numa visão realista, já dá para admitir que a capitalização da companhia, que levaria à diluição da participação estatal e à entrada de acionistas privados, não ocorrerá em 2022.

Mas aceitar esse entendimento é difícil para o governo, porque significa uma dupla derrota: primeiro, o Tesouro não terá o reforço de caixa esperado num ano fiscal particularmente ruim; segundo, a campanha à reeleição de Jair Bolsonaro seguirá sem uma grande privatização para chamar de sua.

Sobre a questão do caixa federal, é bom lembrar que o descrédito sobre a conclusão da operação em ano eleitoral ficou claro quando o Orçamento de 2022 foi aprovado pelo Congresso sem incluir a estimativa de arrecadação com a venda. 

Mesmo que o ministro Vital do Rêgo, do TCU, não tivesse pedido vista do processo, as etapas a serem cumpridas já estavam com prazo superapertado. Por exemplo: a realização de assembleia-geral de acionistas da Eletrobras para aprovar a operação estava marcada para esta sexta-feira. Na segunda-feira, ocorreria a publicação do formulário 20F na Securities and Exchange Commission (SEC) exigido para todos os emissores privados estrangeiros.

Como a Eletrobras tem ações negociadas em Nova York, o órgão regulador norte-americano precisa examinar e aprovar o documento que alinha os relatórios das empresas aos padrões usados na Bolsa de Nova York. De acordo com fontes, a SEC já havia alertado o BNDES, responsável pela execução e o acompanhamento de todo o processo de desestatização, sobre o tempo exíguo para o cumprimento das etapas da capitalização. 

*COLUNISTA DO BROADCAST 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.