Governo leiloa aeroportos nesta sexta e aposta em disputa acirrada

Regras definidas no edital indicam que concessões de Galeão e de Confins vão render mais de R$ 6 bilhões em março de 2014

Luciana Collet, Wladimir D’Andrade e Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

21 de novembro de 2013 | 21h56

RIO - Com expectativa de forte concorrência e ágio superior a 350%, o governo federal realiza nesta sexta-feira, 22, o leilão para concessão dos aeroportos de Galeão, no Rio, e Confins, em Belo Horizonte. Os lances mínimos estabelecidos pelo edital prometem ao governo reforçar o caixa em mais de R$ 6 bilhões em março de 2014.

Os consórcios passaram a semana finalizando as estratégias para a disputa, com a expectativa de muito interesse pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão). A disputa acirrada levou o consórcio formado por EcoRodovias, Fraport - operadora do terminal de Frankfurt, na Alemanha - e Invepar, que já opera Guarulhos, a concentrar seus investimentos no aeroporto carioca.

Outros três grupos farão propostas para Galeão e também para o terminal mineiro. São eles Odebrecht e Changi, responsável pelo terminal de Cingapura; CCR com as operadoras Flughafen Zurich AG, do aeroporto de Zurique (Suíça) e Flughafen München GmbH, de Munique (Alemanha), e Queiroz Galvão, em parceria com a Ferrovial, do terminal Heathrow, em Londres.

Também participa do leilão o consórcio formado por Carioca Engenharia, aliada à GP Investimentos e às operadoras ADP (Paris) e Schipol (Amsterdã).

Joia da coroa. A expectativa de bons resultados no curto prazo fazem do Galeão a "joia da coroa". Em 2012, o terminal gerou um Ebtida (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 106 milhões, segundo o banco Credit Suisse. Foram 17,5 milhões de passageiros, 25% deles em voos internacionais, o que o coloca como quarto maior terminal da América Latina e com potencial para se tornar um ‘hub’, polo de distribuição dos passageiros em conexão para destinos regionais.

"O ônus e o bônus do Galeão é maior", diz o advogado Álvaro Palma de Jorge, consultor em infraestrutura e professor da FGV. Segundo ele, o fluxo previsto para grandes eventos, além das obras exigidas pelo edital, que vão requerer desapropriações de comunidades inteiras, serão desafios aos operadores. "Quem ganhar lá tem que ter fôlego redobrado."

Confins, por sua vez, tem seu potencial de retorno questionado pelos analistas de mercado, sobretudo em relação às exigências para obras de ampliação.

A maior dúvida é sobre a projeção do governo, de crescimento médio anual de 4,7% no número de passageiros. Há dois anos Confins enfrenta queda no movimento.

O especialista em aeroportos Anderson Ribeiro Correia diz que o interesse por Galeão pode ocultar uma oportunidade de longo prazo em Confins. Pela posição geográfica, o aeroporto poderá ser usado para desafogar voos do Rio, São Paulo e Brasília. "Quem apostar em Confins pode ter um aeroporto com potencial de crescimento com um preço menor que o Galeão."

Leilão. O leilão está marcado para as 10h na BM&FBovespa, em São Paulo, e ocorrerá simultaneamente para os dois terminais. Primeiro, serão abertas as propostas apresentadas na segunda-feira. As três maiores propostas serão encaminhadas para as ofertas em viva-voz, quando os consórcios disparam lances em sequência na disputa decisiva pelos ativos. O leilão deve durar duas horas.

As empresas não poderão arrematar os dois aeroportos, mas um mesmo grupo poderá participar de ambas disputas. A assinatura do contrato será realizada em março de 2014.

Mesmo com a expectativa de concorrência forte, alguns analistas fazem ressalva sobre o ágio esperado pelo governo. O sócio da Pezco Microanalysis, Cleveland Teixeira, lembra que o momento econômico pode levar a propostas menos agressivas. "Quem tinha um nível de interesse lá atrás, agora vai exigir um retorno maior."

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