Governo limita reajuste a 6,14% e nega acordo

Presidente da Força ainda acredita que o governo vai ceder e acatar aumento de 7,71% a aposentado

Edna Simão / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2010 | 00h00

O governo reafirmou ontem que índice de reajuste para os aposentados que ganham acima do salário mínimo que irá defender é o de 6,14%. Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de uma reunião com representantes da área econômica para discutir o reajuste dos aposentados.

Após o encontro, o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou que, como não houve acordo na Câmara, o governo vai insistir no aumento de 6,14%. "O governo reafirma os 6,14%", destacou o ministro de Relações Institucionais.

Nas últimas semanas, o governo sustentava que o reajuste poderia chegar a 7%. Ontem, no entanto, Padilha descartou a possibilidade de conceder aumentos escalonados até 7,71%. Para ele, uma medida como essa poderia provocar uma onda de ações judiciais contra o governo, por causa do tratamento diferenciado.

Pela proposta do líder na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), os valores de aposentadorias de um até três salários mínimos receberiam reajuste de 7,71%. Já as pessoas com um benefício maior ficariam com o índice de 6,14%.

O discurso do governo federal de que manterá a proposta de reajuste de 6,14% ainda não convenceu. o presidente da Força Sindical, o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). Ele está confiante de que o governo vai ceder aos apelos dos aposentados e acatar o aumento de 7,71%, já acordado entre Câmara e Senado, para impedir desgaste político em um ano eleitoral.

Mais barato. "É mais barato para o governo aceitar o acordo já firmado entre os líderes da Câmara e do Senado e aguardar com mais tranquilidade as eleições", afirmou Paulinho. O deputado vai entrar com um requerimento na Câmara para assegurar a apreciação do reajuste de 7,71% para os aposentados ainda na terça-feira, dia 27.

O presidente da Força não acredita nesse discurso. "Acho que o presidente Lula só realizou essa reunião para acalmar a área econômica, que não quer dar um reajuste maior para os aposentados", brincou Paulinho. Na avaliação dele, se o presidente Lula não fosse conceder um aumento superior para os aposentados, já teria dito diretamente que vetará um porcentual maior, o que não aconteceu.

Responsabilidade fiscal. Padilha disse que na reunião com Lula não se discutiu a possibilidade de veto do presidente e descartou haver relação com o ano eleitoral. Ele lembrou que, em 2006, também um ano eleitoral, Lula vetou reajuste superior ao que o governo teria condições de suportar.

Veto. "O Brasil é o único país que garante aumento real para o aposentado este ano, sobretudo depois da saída da crise internacional. Não é a primeira vez que o presidente pode vir a vetar coisas aprovadas pelo Congresso naquilo que comprometa a responsabilidade fiscal do País", afirmou Padilha. "O presidente Lula está convencido que o governo fez e vai continuar fazendo muito para os aposentados brasileiros", acrescentou.

Padilha ainda vai conversar com os líderes do governo sobre a decisão do governo e acredita na "sensibilidade" do Congresso Nacional para confirmar o aumento de 6,14%, em vigor desde janeiro.

O impacto anual para os cofres públicos está estimado em R$ 3 bilhões. Se o reajuste dos aposentados saltar para 7,71%, o governo terá que desembolsar outros R$ 1,8 bilhão.

Atualmente, 19 milhões de aposentados ganham um salário mínimo. O restante - nove milhões - recebe mais do que o salário mínimo, e 70% ganham até três salários mínimos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.