Governo mantém em 4,5% meta de inflação para 2010

O Conselho Monetário Nacional (CMN)manteve em 4,5 por cento a meta de inflação para 2010, em linhacom a expectativa do mercado. O intervalo de tolerância também foi conservado em doispontos percentuais, para mais ou para menos, o que significaque a inflação pode ficar entre 2,5 por cento e 6,5 por centono ano sem que a meta seja descumprida. "O CMN, partindo da avaliação de que o desenho da meta deinflação tem tido resultados bastantes satisfatórios para aeconomia, decidiu manter em 4,5 por cento a meta para 2010",afirmou o secretário de Política Econômica do Ministério daFazenda, Bernard Appy. O alvo de 4,5 por cento, considerado por alguns analistaselevado para padrões internacionais, é perseguido pelo BancoCentral desde 2005. A decisão de manter a meta para 2010 foitomada num momento de aceleração da inflação no Brasil e nomundo, pressionada principalmente pelos preços de alimentos eenergia. "Acho que neste momento faz sentido que a meta seja mantidaem 4,5 por cento", afirmou o economista-chefe do WestLB,Roberto Padovani. "O risco inflacionário é tão alto no momentoque uma redução da meta poderia pôr em risco a credibilidade doBanco Central." O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA),usado como referência para o regime de metas, acumula alta de5,58 por cento nos 12 meses até maio. No mercado, a expectativaé de que o indicador feche o ano em 6,3 por cento --perto doteto definido pelo governo. Para tentar trazer o índice de volta à trajetória dasmetas, o BC já elevou o juro básico em 1,0 ponto percentualdesde abril, para 12,25 por cento ao ano. A expectativa deanalistas ouvidos pelo próprio Banco Central é de que a Selicencerre o ano em 14,25 por cento. O CMN é formado pelos ministros da Fazenda e doPlanejamento e pelo presidente do Banco Central, e a decisão demanutenção da meta foi tomada de forma unânime, segundo Appy. TJLP O CMN também manteve em 6,25 por cento a Taxa de Juros deLongo Prazo para o terceiro trimestre do ano. A TJLP é usada na correção dos financiamentos do BancoNacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e suadefinição leva em conta a inflação e o risco-país. O diretor de Política Monetária do BC, Mário Torós, afirmouque o CMN adotou como parâmetro para sua decisão inflação de4,5 por cento e uma taxa correspondente ao risco Brasil de 1,75por cento.

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