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Governo mantém idéia de mudar legislação cambial, diz Meirelles

Apesar da alta do dólar frente ao real nos últimos dias, o governo deve manter a sua intenção de alterar a legislação cambial. Hoje, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, acenou positivamente para o pacote de medidas para a reforma da legislação cambial que o governo pretende enviar ao Congresso. De acordo com ele, "existe um interesse muito grande de modernizar a legislação cambial, de maneira que ela se ajuste à presença atual e importante do Brasil nos mercados globais".O fato é que, nos últimos meses, a tendência era inversa. Ou seja, o real vinha se mantendo em alta frente ao dólar. Em maio, a moeda norte-americana acumula alta de 8,77% até ontem, mas no ano ainda acumula depreciação de 2,37% frente ao real. Setores da economia vinham pedindo uma ação do governo, já que, com o real valorizado, os produtos brasileiros perdiam competitividade no mercado internacional.Meirelles ressaltou que modificações, como essa, na legislação cambial, são normais e devem ser feitas continuamente. "O aperfeiçoamento do mercado de câmbio é um processo continuado. O Brasil já fez muita coisa nesta área e vai continuar fazendo", finalizou.EconomiaMeirelles avaliou como positiva a reação da economia brasileira à forte volatilidade (oscilação) enfrentada pelo mercado financeiro. De acordo com Meirelles, o País dá mostras de solidez e deve continuar em uma rota de crescimento sustentado.Meirelles, no entanto, não quis fazer uma avaliação mais profunda do momento de estresse pelo qual passa o mercado e também evitou fazer qualquer previsão sobre o impacto da turbulência na implementação da política monetária pelo BC.Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se para reavaliar a Selic, a taxa básica de juros da economia, que está em 15,75% ao ano. As últimas turbulências do mercado financeiro trouxeram dúvidas sobre qual será a decisão do BC neste mês.Incertezas no cenário externoEm uma breve exposição sobre as incertezas do cenário externo, o presidente do BC destacou que entre os fatores que estão claros, um é especialmente importante: a política monetária nos Estados Unidos. Uma vez que parece encerrado o período de política acomodatícia naquele país, afirmou Meirelles, o cenário externo de liquidez naturalmente não será tão benevolente como nos últimos anos. Isso significa menos recursos para os países de maior risco. Contudo, Meirelles disse que não são corretas as interpretações de que o movimento de apreciação cambial é conseqüência de enormes fluxos financeiros destinados ao Brasil por conta de suas elevadas taxas de juros. "Ao contrário do que é expresso por muita gente, o fluxo financeiro é apenas uma fração quando comparado ao fluxo comercial (saldo da balança comercial). Temos claramente demonstrado que o que determina a trajetória de câmbio é o fluxo cambial e o investimento direto estrangeiro."

Agencia Estado,

26 de maio de 2006 | 12h14

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