Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Governo marca leilão da Cesp; empresa é avaliada em R$ 4,7 bi

Edital do governo do Estado de São Paulo informou que leilão será no dia 2 de outubro e o preço mínimo da ação deve ficar em R$ 14,30

Circe Bonatelli, O Estado de S. Paulo

07 Julho 2018 | 13h46

Após três tentativas frustradas, o governo do Estado de São Paulo marcou para 2 de outubro o leilão de privatização da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), com preço mínimo por ação de R$ 14,30, o que avalia a empresa em cerca de R$ 4,7 bilhões, conforme edital divulgado ontem. 

O preço é inferior aos R$ 16,80 estipulados na última tentativa de venda, em agosto do ano passado. A fatia do governo paulista corresponde a 40,6% do capital social da Cesp. 

Segundo especialistas no setor elétrico, além do preço mais baixo, as condições para a venda também estão mais atraentes para investidores desta vez porque preveem que a usina de Porto Primavera, principal ativo do grupo, terá um novo contrato de concessão válido até 2048. No ano passado, o governo tentou vender a Cesp apenas com o contrato atual da hidrelétrica, que vai até 2028.

“A prorrogação da concessão de Porto Primavera facilitará bastante o processo de venda. Um ativo de energia, sob uma concessão, exige um prazo longo para o retorno dos investimentos”, avalia o ex-diretor da Cesp e consultor da GO Associados, Antonio Bolognesi.

Além de Porto Primavera, que responde pela maior parte dos cerca de 1,65 gigawatts do portfólio da empresa, a Cesp possui as hidrelétricas Paraibuna e Rio Jaguari. 

O professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), Nivalde de Castro, observa que a Cesp não participou de nenhum leilão nos últimos anos, o que mostra que o Estado não tem mais interesse em investir no setor. “Há bastante interesse do setor privado. E governo vai aproveitar para fazer caixa”, avalia.

Outro fator que aumenta as chances de venda é a recente desvalorização do real frente ao dólar, que “barateou” o custo de possíveis aportes de grupos estrangeiros. Em agosto do ano passado, o dólar estava cotado na casa de R$ 3,15, ante o patamar atual de R$ 3,90.

Segundo Castro, entre os cotados para dar um lance está o grupo franco-belga Engie, que figura entre as líderes privadas de energia elétrica no Brasil, e a China Three Gorges (CTG), que comprou as usinas de Ilha Solteira e Jupiá, até então pertencentes à própria Cesp. Entre os grupos nacionais, a gestora Vinci Partners já declarou interesse no ativo.

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