Adriano Machado/ Reuters
Adriano Machado/ Reuters

Governo minimiza perda de status de país em desenvolvimento do Brasil nos Estados Unidos

Chanceler, Ernesto Araújo, afirmou que a medida não surpreendeu o governo brasileiro e que não possui impacto no País; pela manhã, o presidente Jair Bolsonaro abandonou conversa com jornalistas ao ser indagado sobre o assunto.  

Julia Lindner e Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2020 | 21h43

BRASÍLIA - Apesar de possíveis efeitos negativos na economia, o governo Jair Bolsonaro tenta minimizar a decisão dos Estados Unidos de retirar o Brasil de sua lista de países em desenvolvimento. A decisão abre margem para a imposição de barreiras comerciais.

Em nota, o Itamaraty afirmou que “a medida não acarreta nenhum impacto imediato para o Brasil”. A justificativa é que "atualmente não há investigação de subsídios em curso nos EUA sobre produtos brasileiros".

“O Brasil vem modernizando sua economia, de modo a potencializar forças de mercado. Não se priorizam políticas de subsídio como instrumento econômico, o que está em linha com o esforço mais amplo de reforma econômica do país e de aproximação aos padrões da OCDE, que disciplinam o uso de subsídios”, diz o texto.

De acordo com o Ministério de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, o governo brasileiro “monitorará os eventuais desdobramentos da matéria com atenção, à luz das disciplinas multilaterais aplicáveis”.

Pela manhã, o presidente Jair Bolsonaro abandonou conversa com jornalistas ao ser indagado sobre o assunto.  

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, também evitou comentar a decisão dos Estados Unidos. "Acho que a gente tem de entender por que foi feito isso, dentro de um contexto. Eu ainda não sentei com a equipe para avaliar a medida", reagiu.

Questionada se a decisão poderia prejudicar a retirada do embargo norte-americano à exportação de carne in natura brasileira, a ministra rebateu. "Por que atrapalharia? Você tem que ter estratégias e o mercado é um só. Onde tira alguma coisa, você tem outros lugares. É tudo muito dinâmico na área de comércio."

O anúncio feito pelo governo americano na segunda-feira, 10, envolve outros cerca de 20 países como Argentina, Colômbia, Costa Rica, Índia e África do Sul. A medida visa proteger, principalmente, a indústria do país contra ameaças comerciais da China - que também perdeu status de país em desenvolvimento e, por isso, recebia certos privilégios comerciais.

O Brasil já havia concordado em renunciar aos privilégios comerciais na OMC enquanto país em desenvolvimento em troca de apoio dos EUA para seu ingresso na OCDE. A mudança de status anunciada pela Casa Branca esta semana, entretanto, não fez parte do acordo.

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