Governo não aceita salvaguardas da Argentina

O governo brasileiro rebateu, ontem, a tentativa da Argentina de retomar as discussões sobre a aplicação de salvaguardas comerciais no comércio entre os países do Mercosul. Em visita ao Senado, o ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, declarou que o Brasil não aceitará posições unilaterais de seus vizinhos, especialmente aquelas vindas de Buenos Aires. A questão reacende uma séria pendência entre os dois países, que se arrasta há pelo menos seis meses."O Brasil tem uma posição muito clara: não aceitará decisões unilaterais porque isso significaria o fim do Mercosul", afirmou Furlan, ao responder a jornalistas sobre a possibilidade de a Argentina retomar sua posição agressiva na discussão do tema. Fontes de Buenos Aires disseram ao Estado, anteontem, que o governo argentino apresentará nos próximos dias objeções à contraproposta do Brasil sobre a adoção de um mecanismo para contornar desequilíbrios no comerciais no bloco, especialmente nas trocas bilaterais. Ao sentir seu país "fortalecido" pelo sucesso na renegociação da dívida externa, o presidente Néstor Kirchner estaria disposto agora a determinar uma reviravolta no debate com o Brasil. Ao rebater o ensaio argentino, Furlan indicou que o Brasil tem boa vontade para negociar, mas não está disposto a recuar nas suas exigências. Nas últimas rodadas de negociações, o governo brasileiro deixou claro que não concordará com a aplicação automática de salvaguardas no comércio - tarifas de importação ou cotas - e que o mecanismo só será aceito se for adotado de forma temporária e com condições para o setor protegido aumentar sua competitividade. O Brasil tampouco aceita que as salvaguardas sejam impostas sem a prévia concordância do país afetado, uma forma de evitar o prejuízo à imagem do Mercosul.

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