Governo não cogita sanção a diretor da ANP, diz ministro

"O diretor Haroldo Lima tem mandato. Ele foi eleito e aprovado pelo Senado", afirma Lobão

Fabio Graner e Isabel Sobral, da Agência Estado,

15 de abril de 2008 | 12h20

O ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, afirmou nesta terça-feira, 15, que não cogita uma sanção para o diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima, por conta das declarações sobre o tamanho da reserva na área Pão de Açúcar, na Bacia de Santos, que provocou disparada das ações da Petrobras, na segunda-feira. "O diretor Haroldo Lima tem mandato. Ele foi eleito e aprovado pelo Senado. Não cogito sanção. O que temos de cuidar é dos interesses do Brasil em relação ao petróleo", disse Lobão. Veja também:Pão de Açúcar: País pode ter o terceiro maior campo de petróleo do mundoA história e os números da Petrobras  A maior jazida de petróleo do País A exploração de petróleo no Brasil  'Brasil pode se unir à Opep', diz jornal americanoDescobertas vão render R$ 160 bi Novo megacampo no Brasil mexe com bolsas de Londres e MadriLima diz que tem autoridade para falar sobre megacampo   Questionado se haveria alguma orientação ou código de ética que teria sido violado por Lima com suas declarações, Lobão respondeu: "há uma orientação, mas isso tem que ser visto no futuro. O importante é saber que o ministério das Minas e Energia já tomaram sua posição. A nota da Petrobras esclarece bem o assunto. Vamos aguardar os desdobramentos", afirmou. Lobão disse ainda que sempre que uma declaração é feita do jeito que fez Haroldo Lima há uma alteração no mercado. "Mas isto se corrige".  O ministro disse que não tem condição de dizer se as informações dadas por Lima são improcedentes. "Houve a perfuração de um poço e determinados resultados estão sendo avaliados. Não houve ainda perfuração de outros poços e nem ampliação das pesquisas". Portanto, segundo ele, não há condições de dizer se esse campo é tão bom assim ou se não é o que foi dito. Lobão acrescentou que só vai ser possível obter os resultados completos dentro de alguns meses. Desempenho das ações Na segunda-feira, após as divulgações de Lima, as ações da Petrobrás dispararam. Houve um momento em que a empresa, sozinha, respondia por metade do giro de recursos na Bovespa. Os papéis ordinários (ON) chegaram a valorizar-se 10,8% e fecharam o pregão com alta de 7,68%. A direção da estatal, que de início não quis comentar as declarações do diretor da ANP, teve de emitir nota, explicando que "a abrangência das descobertas em Santos ainda depende de estudos".A empresa comunicou ainda que "um plano de avaliação das áreas deverá ser entregue à ANP dentro de poucos dias". Na noite de segunda-feira, diante da repercussão das declarações de Lima, a ANP emitiu uma nota de esclarecimento na qual classificou como" conhecidos" os dados expostos pelo diretor. A ANP remeteu as informações a notas veiculadas pela Agência Estado, em novembro do ano passado, e a uma coluna da revista World Oil. Na exposição, o diretor da ANP identificou como Pão de Açúcar apenas o bloco BM-S-9 (Bacia Marítima de Santos, nº 9), operado por um consórcio formado pela Petrobrás (45%), a britânica BG(30%) e a hispano-argentina Repsol (25%). Segundo ele, o volume de óleo que é possível extrair da jazida poderia chegar a até 33 bilhões de barris. A megajazida de Tupi tem reservas estimadas de 5 bilhões a 8 bilhões de barri As reservas de bilhões de barris de óleo, de qualidade superior à produzida atualmente no País, estão numa profundidade definida como "pré-sal", ou abaixo da camada de sal que forma blocos no subsolo marítimo. As descobertas estão em áreas próximas, na Bacia de Santos, mas a Petrobrás estima que o mesmo tipo de ambiente pode se repetir por cerca de 800 quilômetros, do Espírito Santo a Santa Catarina, como foi informado na época da descoberta de Tupi. Os primeiros indícios de petróleo e gás na área foram informados à ANP em agosto de 2007, mas sem o volume identificado no local.

Tudo o que sabemos sobre:
Reserva de Açúcar

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.