Governo não contém nervosismo do mercado

Os mercados financeiros não acalmaram com a divulgação da prorrogação das vendas de cotas diárias de dólares no mês de agosto. O anúncio de que a missão brasileira partiu para Washington para negociar um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) também não funcionou. O dólar fechou na maior cotação da história; R$ 3,30; e o resultado da última pesquisa do Datafolha explica por quê.Segundo a pesquisa de intenção de votos do Datafolha divulgada depois do fechamento dos negócios, Ciro Gomes (Frente Trabalhista) chega muito perto de Luis Inácio Lula da Silva (PT), isolando-se dos demais candidatos, que caíram. Como a crise do mercado é uma crise de confiança nas propostas dessas duas candidaturas, o seu sucesso preocupa muito. E o favorito dos investidores, José Serra (PSDB/PMDB), tem como última esperança uma rápida ascensão depois do início do horário eleitoral gratuito, em 20 de agosto. Mas o nervosismo no câmbio indica que o investidor já considera essa hipótese cada vez menos provável.Nesse contexto, o dólar voltou a disparar. O comercial foi vendido a R$ 3,3000 nos últimos negócios do dia, em alta pelo nono dia consecutivo, ontem, de 3,45% em relação às últimas operações de segunda-feira, batendo novo recorde. No mercado de juros, os contratos de DI futuro acompanharam. Os de vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagavam taxas de 27,070% ao ano, frente a 25,900% ao ano na segunda-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acompanhou as bolsas de Nova York, fechando em alta de 1,09% em 9341 pontos.Pelo menos, o suspense em relação às intervenções no câmbio acabou. O Banco Central divulgou que manterá em agosto as vendas de US$ 50 milhões diários, definidos inicialmente para o mês de julho. Também segue rolando os vencimentos de agosto integralmente e pode fazer intervenções adicionais, de acordo com a situação das cotações. O problema é que a demanda por dólares é enorme, e não serão os aproximadamente US$ 1,8 bilhões previstos que resolverão a questão. Além disso, o governo enfrenta restrições e a venda de dólares pode custar caro às reservas. Por essa razão, partiu hoje uma equipe negociadora do governo para Washington, para tentar fechar um acordo com o FMI que cubra os próximos seis a doze meses. Mas a recusa dos candidatos à Presidência em firmar compromissos mínimos e ratificar o acordo dificulta as negociações.De qualquer modo, a Casa Branca tentou reparar as declarações do secretário de Tesouro (equivalente a ministro da Fazenda), Paul O´Neill, sobre as garantias que exigiria para que recursos emprestados a Brasil, Uruguai e Argentina não vão parar em contas na Suíça. O governo norte-americano reiterou o apoio ao Brasil e a confiança na equipe econômica, sem nenhum efeito nos mercados.Mercados internacionais Em Nova York, o clima foi de recuperação vigorosa nos últimos cinco pregões, embora ainda falte muito para recuperar os patamares de dois meses atrás. O Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 0,37% (a 8680,0 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - subiu 0,67% (a 1344,19 pontos). O euro fechou a US$ 0,9837; uma alta de 0,21%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, fechou em alta de 0,86% (358,89 pontos). Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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