Governo não deixará empresas desassistidas, diz assessor

'Governo não vai deixar ninguém desassistido, mas não passará a mão na cabeça de ninguém', alerta Garcia

Tânia Monteiro, da Agência Estado,

14 Outubro 2008 | 16h42

O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, não quis precisar corretamente quantas são as empresas brasileiras que estariam com problemas em decorrência da valorização do dólar. Ele advertiu, no entanto, que o "governo não vai deixar ninguém desassistido, mas não passará a mão na cabeça de ninguém".   Veja também: Bush anuncia compra de ações de bancos pelo Tesouro dos EUA Em meio à crise, empresas têm que pagar US$ 15 bi ao exterior Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    Marco Aurélio avisou ainda que todas as medidas a serem tomadas para ajudar as empresas em dificuldade "serão medidas legais, dentro dos parâmetros legais, com todas as garantias no que o governo ajudar". E completou: "o governo será remunerado de forma adequada, com garantias reais".   O assessor da Presidência disse que não queria ficar falando sobre esse assunto porque essa é uma questão técnica e que é preciso ver a extensão do problema. "Mas, o governo está tranqüilo", disse ele.   Questionado se o número de 200 empresas com problemas, como vem sendo cogitado, não era muito grande e se não era motivo de preocupação, o assessor respondeu: "não é uma coisa devastadora". Sobre a existência ou não de bancos na lista das instituições com problemas de caixa por causa da crise, Marco Aurélio assegurou: "banco, não tem nenhum".   Marco Aurélio lembrou que, num primeiro momento, apareceram duas empresas, referindo-se à Sadia e Aracruz, e depois surgiu boatos com relação a uma terceira empresa. "Eu imagino que esta esperteza (de investir em dólar) não tenha sido só de duas ou três (empresas). Seguramente, tem muito mais", disse, ressalvando, entretanto, que quem fez esse tipo de aplicação, na verdade, foi "pouco esperto".   Otimismo   O assessor informou que o presidente Lula falou, depois de chegar a Nova Délhi, com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que continua em Washington. "O clima é de otimismo. O impacto das medidas adotadas é favorável", disse Marco Aurélio, ao comentar que Mantega informou a Lula que ficou "trancado" em Washington por causa de um furacão que impediu o avião da Força Aérea Brasileira de decolar.   Lula ligou também para o primeiro-ministro da Inglaterra, Gordon Brown, para cumprimentá-lo pelas suas ações e medidas adotadas para combater a crise financeira internacional. Na conversa com Gordon Brown, o presidente comentou que a proposta do primeiro-ministro terminou pautando as ações da Europa, que destinou mais de US$ 2 trilhões para socorrer os bancos na região, lembrando que essas medidas certamente terão influência sob os Estados Unidos.   Segundo relato feito por Garcia, no contato telefônico, Gordon Brown propôs a realização de uma reunião de líderes para continuar discutindo a crise e convidou o presidente Lula a participar desse encontro. A idéia é que essa reunião seja realizada até o final deste ano, possivelmente, em Londres.   O assessor, que acompanha o presidente na viagem a Espanha, Índia e Moçambique, disse que Lula ainda defendeu, na conversa com o primeiro-ministro britânico, a necessidade de se mexer na arquitetura financeira internacional, discurso que vem fazendo em todas as suas viagens internacionais.   Ele explicou que uma série de reuniões deve ser realizada entre os países até que se "cristalize uma proposta final sobre essa nova arquitetura financeira", que terá o objetivo de evitar que novas crises como esta se repitam.   Garcia disse que, com as medidas adotadas a partir de seu país, Gordon Brown cresceu muito diante do cenário internacional. "Não é que a crise o ajudou a crescer. Foi a resposta que ele deu à crise que foi da maior importância", disse.   Bolsas   Ao comentar o resultado positivo das bolsas nos últimos dois dias, Marco Aurélio lembrou que "até domingo, os governos do mundo vinham adotando medidas e elas não faziam efeito porque faltava confiança". Em seguida, ele disse que "agora os agentes financeiros passaram a ter confiança e as medidas começaram a apresentar efeito".   O assessor da Presidência declarou ainda que, até então, as medidas que vinham sendo adotadas em todos os países do mundo "ao invés de tocar a bolsa para cima tocava para baixo" e acrescentou que agora todos entenderam que as medidas são positivas e estão trazendo resultados. Sobre a cotação do dólar no Brasil que estava na casa dos R$ 2,09, Marco Aurélio observou: "o dólar está caindo. Vamos entrar num patamar aceitável porque ele estava muito baixo".   Ao se referir aos discursos que o presidente Lula fará amanhã na reunião entre Brasil, Índia e África do Sul, Marco Aurélio disse que o presidente vai lembrar que uma das coisas importantes para enfrentar a crise mundial é chegar a um bom resultado da Rodada Doha. Ele lembrou também que o presidente vai tratar da importância de se criar um novo mecanismo de proteção para a economia.

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